— Aquela mulher fugiu? E não se divorciou?
Tainá Torres abriu bem os olhos.
Morgado apertou os olhos e continuou: — Na época, seu mestre abriu um boletim de ocorrência e também pediu o divórcio. É por isso que aquela mulher não se atreve a voltar ao país há muitos anos.
Seu mestre a perseguiu de perto e até enviou pessoas ao exterior para procurar o paradeiro da mulher, querendo se vingar.
— Encontraram?
Tainá Torres perguntou.
— Não, pelo menos não antes de irmos embora.
Com o temperamento que Lago tinha naquela época, além do sangue quente da juventude, se a encontrasse, eu estimo que aquela mulher acabaria morta ou mutilada.
A mulher também sabia disso, por isso se escondeu muito bem.
Mais tarde, a mulher ficou com medo, ou talvez tenha achado que a vida no exterior não era tão fácil assim, e se arrependeu.
Ela pediu a várias pessoas para intercederem junto ao seu mestre. Expressou disposição de devolver parte dos bens, pedindo apenas que seu mestre não a responsabilizasse. Se fosse possível, ela estava disposta a voltar para o lado de Lago.
Mas como Lago iria aceitar?
— E a criança? Ela também não falou em trazê-la de volta?
Suzi perguntou.
— A criança é o escudo dela. Com a criança lá, o seu mestre teria receios, o coração dele amoleceria, por isso a mulher não mandava a criança de volta.
Alguns anos depois, a raiva do seu mestre passou e a empresa dele se recuperou. Não sei o que aconteceu, talvez ele tenha achado que não tinha mais graça e retirou a queixa.
Porém, depois daquele incidente, o seu mestre ficou muito machucado e não procurou outras mulheres desde então.
Neste exato momento, Tainá Torres ouviu de repente o som da porta se abrindo...
A porta da casa de Tainá Torres usava uma fechadura por senha, e as pessoas abriam a porta com impressão digital quando voltavam.
Acontece que o mestre tinha voltado.
Todos se assustaram e cumprimentaram rapidamente. Talvez por peso na consciência, até Nero e Morgado, que normalmente não gostavam de cumprimentar ninguém, sorriram e saudaram o Mestre Lago.

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