Caso contrário, com o fracassado do Henrique Índigo, as coisas teriam saído do controle há muito tempo.
Henrique Índigo pensou um pouco: — Se levarmos um médico tradicional lá, eles deixarão aplicar as agulhas?
— Da última vez que fomos, aquele assistente de cuidados estava de olho o tempo todo, não saía de perto.
Catarina Queiroz rangeu os dentes: — Eles vão deixar aplicar as agulhas por bem ou por mal. Vamos afastar o assistente e o médico fará isso escondido.
A vida do filho dela estava acima de tudo.
— E se, por acaso, aquele médico não tomar cuidado e espetar o velho de um jeito que dê problema?
Sendo filho biológico, o pai dele havia se preocupado a vida inteira e ele ainda guardava alguma consciência. No entanto, restava-lhe apenas um pouquinho de consciência, pois o resto havia desaparecido.
Mas Catarina Queiroz não ligou e respondeu como se fosse a coisa mais normal do mundo: — Ah, e qual o problema nisso? Ele já tem uma idade tão avançada, seria apenas uma pessoa a mais pra ir pro inferno. E mesmo que ele venha a morrer por isso, vai ser considerado uma morte tranquila e natural na cama.
— A gente só passa um dinheiro pro Residencial Golden Life pra arranjar uma justificativa e está tudo resolvido. Tenho certeza que eles não vão se atrever a deixar vazar algo desse tipo.
Para esse tipo de manobra suja, ela parecia ter total domínio e destreza.
— De jeito nenhum. Aquele é o meu pai. Não dá para colocar tudo em risco.
— Não dá para arriscar? Acha melhor deixar que o Igor seja morto? Seu inútil fracassado!
— Entre um velho de 80 anos e um filho na casa dos 20 anos, qual você prefere?
Catarina gritou cheia de ódio.
Pá! Henrique deu um tapa na cara da mulher: — Você está chamando quem de inútil fracassado? Se eu fosse realmente tão fracassado, você ainda estaria rastejando para subir na minha cama como fez anos atrás?

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