O vovô também não o amava nem um pouco. Ele estava sofrendo tanto, sentindo tanta dor, e mesmo assim o vovô continuava recusando o seu pequeno pedido.
Ele estava realmente com muita raiva.
A maioria das crianças é assim, sempre desejando que o mundo gire ao seu redor, que as pessoas à sua volta girem ao seu redor, que todos gostem dele, e não que o odeiem ou rejeitem. Querem que todos o agradem e mimem, e que deem a ele tudo de melhor, sem poderem oferecer as coisas boas às outras crianças.
Leonardo, que desde pequeno foi criado sendo a pupila dos olhos de todos, era imbatível nesse aspecto. Ninguém conseguia superá-lo na quantidade de caprichos exigidos.
Assim que acontecia algo desagradável, Leonardo logo o guardava no coração e praguejava algumas palavras duras contra quem havia o chateado.
Da mesma maneira que o vovô Passos o havia tratado mal, Leonardo naturalmente também tinha o guardado no coração.
Contudo, no passado, o vovô Passos tinha sido muito bondoso e maravilhoso para com ele. Era impossível de esquecer, de modo que ele estava apenas irritado — uma daquelas indignações momentâneas, como ficar zangado por não poder assistir a um desenho animado que adorava na televisão.
E embora estivesse possesso com isso tudo, que coragem tinha Leonardo de admitir tudo abertamente? Nenhuma.
Ele prontamente sacudiu a cabeça: — Não tô.
Logo em seguida repetiu, tentando provar do seu ponto que aquilo que saíra foi real e verídico de tudo para todos os olhares lá ali fixos nele na sala e não se via raivinha por ali nem ali naquele exato ar: — Eu não tô bravo com o vovô.
Ele falava de modo tão forçado que, ao pronunciar as palavras, sequer tinha a coragem de olhar o vovô Passos nos olhos. Estava óbvio que mentia.
O vovô Passos não desistiu. Estendeu a mão para ele e deu uns tapinhas em seu ombro: — Eu sei, o Leo está com raiva do vovô. É porque o vovô bateu em você com muita força naquele dia, não é? O vovô veio aqui também para pedir desculpas.
— Me desculpe. O vovô não deveria ter tratado você dessa forma. Perdoe o vovô, está bem? — disse o vovô Passos.
Leonardo mentiu novamente para disfarçar o que realmente sentia, retrucando: — Eu não tô com raiva.
O vovô Passos abriu as mãos lentamente e falou de maneira serena: — Se você não está com raiva, então me dê um abraço. Pode ser?
Leonardo ergueu os olhos por um instante, e rapidamente baixou a cabeça de novo.
Francisca lançou um olhar para Leonardo, curvou-se para erguer o vovô Passos e acompanhou-o de volta ao quarto ao lado.
Quando Francisca se virou para sair, o vovô Passos a chamou: — Espere.
Francisca estacou os passos e virou-se para ele: — Vovô?
O vovô Passos refletiu por um instante antes de falar num tom pesado: — Volte para lá e converse um pouco com o Leo para acalmá-lo. Estes dois dias ele... Deixa para lá. Apenas vá consolar a criança. Se o ânimo dele ainda não estiver bom, tire uma licença para ele no colégio infantil e não deixe ele ir nos próximos dias.
Francisca travou. Percebeu de forma abrupta que aquilo talvez fosse outra oportunidade.
Ela cerrou os olhos e suspirou de leve: — Vovô, não é como se o senhor não soubesse o motivo de o Leo estar triste, depois do que aconteceu com a mãe dele... Eu o aconselhei algumas vezes nesses dois dias, mas... não surtiu nenhum resultado. O seu comportamento para com ele também influenciou, com certeza não caiu nada bem e com razão deve ter alimentado ainda o que há de rancor do Leo para com o senhor.
O olhar do vovô Passos escureceu. Não emitiu resposta alguma.
Ela ergueu a cabeça e disse num tom delicado: — Porém, essas são pirraças bem próprias das crianças... Fora que o Leo é ainda muito mimado, não tendo jamais visto dias amargos como os desses tempos e também sem ficar muito longe da mamãe. Da noite para o dia acontecerem imprevistos o dificultou de se adaptar em instantes. Ele vai guardar essas ocorrências difíceis no peito por enquanto. É provável que se ele ganhar uma novidade num brinquedinho logo ele superará e apagará. Depois de conversar um pouco com o pequeno Leo ele poderá com certeza se acostumar nestes curtos novos dias e voltar a ser como era antes. Vovô não precisa de aflição com a cabecinha miúda de uma criança dessa.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Renascida das Cinzas: O Amor que Você Enterrou
Adoroooo o Erick.... Ele é de opinião, ele é o homem certo para Alice....
AFF ... 2 ataques Estou com ansiedade Não e possível que a Alice vai acreditar...
Juro que vou parar de le se esse velho fazer do aniversario do Erick o noivado com essa Lavinia. Pelo amor Deus os 2 agora que ta namorando, ja ficaram separados muito tempo. Ele sempre foi apaixonado e agora que ele conseguiu o amor dela e ela pela primeira vez e amada como deveria. Agora ela pode ter a Tina com o Erick e ser feliz...
Credo!!!!! Mas faltam muuuuitos diálogos!!!!!...