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Renascida das Cinzas: O Amor que Você Enterrou romance Capítulo 1199

Francisca abaixou a cabeça, assumindo uma postura de pura vergonha e constrangimento.

Suas mãos apertavam o tecido da calça com força enquanto ela falava em um tom carregado de culpa:

— Me perdoa, vovô. A culpa foi toda minha. Eu deveria ter trancado aqueles remédios.

Era impossível saber se o Vovô Passos havia engolido aquele teatro.

Ele desviou o olhar sem dizer uma palavra e desdobrou a folha de papel — a última carta de Leonardo.

Francisca observou o movimento dele, sentindo os batimentos cardíacos acelerarem.

Ela lançou um olhar rápido para Jarbas, sinalizando com os olhos para que ele fosse buscar o menino.

Jarbas captou a mensagem no ar e saiu do quarto em silêncio.

Francisca voltou a fixar os olhos no velho.

O Vovô Passos segurava o papel fino com ambas as mãos, a expressão fechada em uma carranca impenetrável enquanto lia.

A carta havia sido ditada por Francisca, que supervisionou cada traço que Leonardo escrevia.

Era curta, direta e manipuladora.

A caligrafia trêmula e infantil de Leonardo estava borrada em alguns pontos, onde gotas de água — simulando lágrimas — haviam manchado a tinta azul.

— "Sinto falta da mamãe e do papai. A mamãe foi levada por pessoas más. Eu pedi pro vovô me ajudar a procurar, mas ele não quis. Ele brigou comigo e me bateu. Eu tô muito triste. Tão triste que eu quero morrer..."

Como costumava dizer o Diretor Olimpio, psicólogo renomado que orientava o colégio das crianças da elite: quando uma criança se sente duramente rejeitada ou punida pelos mais velhos, é comum que desenvolva fantasias de vingança emocional.

Nessas fantasias, elas acreditam que se tornarem frias, máquinas de estudar sem sentimentos, ou se cortarem os laços com o mundo, farão os adultos se arrependerem amargamente.

No extremo dessa ingenuidade infantil, a criança pode fantasiar com fugas ou até mesmo com a própria morte, tudo pela mórbida satisfação de ver os pais chorando de remorso.

Francisca conhecia a fundo a mente humana.

Por isso, mandou Leonardo escrever exatamente essa narrativa: se ele morresse, o avô se arrependeria de não ter trazido a mãe dele de volta?

Ao ler essas palavras, o Vovô Passos foi tomado por um ataque de tosse violento.

Francisca deu um pulo da cadeira e correu para acariciar as costas dele, mas o velho a empurrou com um gesto ríspido.

O texto não acabava ali.

De forma dramática e infantil, Leonardo ainda havia listado o que fazer com seus bens.

O dinheiro da mesada voltaria para o avô, já que tinha sido ele quem dera.

O coração de Francisca despencou.

Pelo tom furioso, o Vovô Passos não parecia nem um pouco tocado.

A chantagem de Leonardo não o havia feito repensar sua decisão de manter Luciana Araújo longe da família.

Francisca prendeu a respiração, arrumou a ponta do cobertor e disse em um sussurro calculista:

— Eu já pedi pro Jarbas trazer ele aqui. O senhor vai poder falar isso na cara dele.

O velho assentiu, com o rosto sombrio como uma tempestade.

— Ótimo. Quero só ver que desculpa esse moleque vai me dar.

Francisca lançou sua última isca, adotando um tom maternal e preocupado:

— Vovô... o Leo acabou de tentar suicídio. O psicológico dele deve estar destruído. Pegue leve nas palavras. Não bata, nem grite com ele. E se ele tentar se matar de novo? O que a gente faz?

O Vovô Passos amassou a carta entre os dedos, com o olhar gélido.

— Eu sei o que estou fazendo.

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