Bem nesse momento, bateram na porta da sala.
Os passos de Erick pararam abruptamente. O punho dele ficou travado no ar, enquanto os olhos escuros de Gabriel o encaravam friamente.
As batidas continuaram.
Erick puxou o ar com força várias vezes, fixou o olhar em Gabriel, baixou a mão e virou-se para abrir a porta.
Era a cozinha entregando os pratos.
Os pratos fervilhantes, perfeitamente aromáticos e com uma apresentação impecável, foram colocados na mesa um por um. Erick observava tudo de perto, mas seu apetite havia evaporado. Só de olhar para Gabriel sentado na sua frente, seu estômago revirava.
Perdeu totalmente o apetite!
Os garçons que serviam a comida notaram imediatamente a atmosfera congelante e hostil entre os dois homens. Com as cabeças baixas e movimentos silenciosos, dispuseram a comida na mesa e se retiraram sem fazer o menor ruído.
Com a interrupção, o pico de fúria de Erick esfriou um pouco. Ele conseguiu olhar para Gabriel com uma falsa calma.
— Coma — ofereceu Gabriel.
O tom dele ainda era sereno e inabalável, fazendo Erick querer triturar os próprios dentes.
Erick ergueu o queixo e disse: — Aproveite a refeição, Diretor Gabriel. Daqui a pouco eu vou buscar a minha namorada e ela vai me levar para comer.
A mão de Gabriel segurando os hashis travou por um segundo, antes de ele soltar um sorrisinho: — Parece que o Diretor Olimpio já se esqueceu do que eu acabei de dizer.
Erick estreitou os olhos, sem responder.
Gabriel riu levemente: — A Alice administra uma empresa enorme, já vive soterrada de problemas. E você ainda quer ficar grudado nela exigindo que te acompanhe no jantar. Se continuar com esse grude, ela vai perder a paciência logo, logo, e os sentimentos vão acabar sumindo junto.
Erick engoliu a raiva e forçou um sorriso: — Pelo visto, nos tempos em que a Alice vivia na família Passos, ela não tinha um pingo de paciência com o Diretor Gabriel para você ter esse tipo de preocupação. Eu sou diferente de você. Minha namorada me mima o tempo todo, ela nunca ficaria sem paciência comigo. Pode poupar o seu fôlego e parar de se preocupar com isso.
Gabriel serviu-se de um bocado de comida e murmurou: — É verdade, eu não deveria ter te avisado. Quanto mais rápido você esgotar os sentimentos dela, melhor para mim.
Erick zombou: — Você gosta mesmo de pagar para ver. Pelo jeito, você só vai aceitar a derrota quando eu jogar a nossa certidão de casamento na sua cara.
Gabriel engoliu a comida, balançou a cabeça e deu um sorriso: — Não, você não entendeu. Mesmo que você e a Alice se casem, eu continuarei esperando. Afinal, as pessoas se casam, mas também se divorciam. Nada é para sempre.
A cara de pau daquele homem ultrapassava qualquer limite imaginável.
Como Erick já havia testemunhado o nível de cinismo dele instantes atrás, não se deixou provocar tão facilmente dessa vez.
O Gabriel de agora só sabia ladrar. Afinal, quem estava com Alice era ele, Erick, e não Gabriel. Por isso o outro só podia usar essas alfinetadas para tentar desestabilizá-lo.
As intenções por trás daquelas palavras eram claras: Gabriel queria plantar uma semente de desconfiança entre os dois e fazer Erick duvidar de Alice.
Uma vez que a semente da dúvida é plantada, o relacionamento nunca mais volta a ser como era, resultando num desgaste que destruiria o amor do casal.
E assim o plano de Gabriel estaria concluído.
Ele jamais cairia na armadilha daquele canalha.
Gabriel continuava seu show calmo e arrastado, como se fosse completamente imune à tempestade emocional de Erick: — E ela aceitou. Só me devolveu dias depois, dizendo que não tinha gostado do modelo. Eu até pensei: "Não tem problema. Dinheiro não falta, é só contratar um designer para criar algo do jeito que ela quiser."
Gabriel deu um sorriso de canto para Erick: — Já que você é o namorado dela, podia sondar que tipo de pedra ela prefere? Diamante verde ou diamante rosa?
O silêncio reinou na sala.
Qualquer traço de expressão desapareceu do rosto de Erick. Com uma fisionomia mortalmente apática, ele murmurou: — Você deu um anel para ela?
Gabriel usava um lenço para enxugar lentamente as mãos: — Sim. Mas, sinceramente, agora eu tô um pouco confuso. Você disse que a relação de vocês é tão maravilhosa... por que será que ela escondeu isso de você?
Erick continuava parado como uma estátua, o olhar frio travado nele: — Você tá mentindo. A Alice nunca aceitaria um anel de você.
Gabriel soltou o lenço e começou a desabotoar o paletó, movendo-se com preguiça enquanto tirava a peça. Ele disse, com uma falsa inocência: — Será mesmo? Mas o fato é que ela aceitou. Se você não acredita em mim, pode voltar para casa e perguntar para ela.
Dizendo isso, Gabriel sorriu, levantou-se e pendurou o paletó no encosto da cadeira: — Para ser honesto, eu mesmo fiquei surpreso quando ela pegou a caixinha. Isso só me fez ter certeza de uma coisa: eu e ela ainda temos uma chance.
— Você não concorda, Diretor Olimpio?
No momento em que a última palavra saiu de sua boca, Erick deu um passo largo para frente. Com o rosto sombrio de pura fúria, ele lançou o braço e afundou o punho com violência extrema direto no rosto de Gabriel.
O golpe foi com força total, sem pena. Gabriel recebeu a pancada em cheio, o corpo oscilando para trás antes de conseguir firmar os pés no chão.
Mas o ataque não tinha acabado. Rugindo um "Desgraçado!", Erick armou outro soco e avançou novamente.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Renascida das Cinzas: O Amor que Você Enterrou
Adoroooo o Erick.... Ele é de opinião, ele é o homem certo para Alice....
AFF ... 2 ataques Estou com ansiedade Não e possível que a Alice vai acreditar...
Juro que vou parar de le se esse velho fazer do aniversario do Erick o noivado com essa Lavinia. Pelo amor Deus os 2 agora que ta namorando, ja ficaram separados muito tempo. Ele sempre foi apaixonado e agora que ele conseguiu o amor dela e ela pela primeira vez e amada como deveria. Agora ela pode ter a Tina com o Erick e ser feliz...
Credo!!!!! Mas faltam muuuuitos diálogos!!!!!...