Alexander coçou a garganta chamando atenção dos pais. –Com licença, eu vou saudar os outros convidados– Alexander já estava pronto para se retirar e sair daquela situação.
–De forma alguma, deixe que eu e a sua mãe nos ocuparemos dos outros convidados. Porque não leva a Senhorita Valentina para dar uma volta pelo jardim ou conhecer a mansão?– disse Heitor e Alexander voltou a olhar para Valentina com um olhar de desgosto disfarçado. Porém, não tinha outra escolha, não podia recusar uma ordem direta de seu pai na frente dos convidados.
Alexander se aproximou de valentina e lhe ofereceu o braço como um cavalheiro, embora seu olhar dizia algo muito diferente.
Valentina olhou para Seus pais e para os pais de Alexander que a olhavam sorrindo como quem diziam "vai!"
Sem opção, valentina enlaçou seu braço ao de Alexander como um verdadeiro casal, e saíram caminhando pelo Salão chamando a atenção dos demais convidados pela forma como combinavam um com o outro como um jovem e belo casal de elite.
Os quatro mais velhos sorriram largamente vendo o jovem casal partir já com vários planos em mente.
Assim que chegaram a uma varanda longe dos olhares, os dois simultâneamente soltaram seus braços e voltaram a se encarar sem disfarçar sua hostilidade.
–Ah, então foi para isso que foi ao meu escritório naquele dia– começou Alexander colocando as mãos nos bolsos –Foi sondar o terreno para dar seu próximo golpe–
–O que? Ah eu não tenho que ficar aqui e ouvir isso– Valentina se virou pronta para sair dali.
–Eu sei que a sua família está falindo, ou melhor, já faliu e está vivendo a base de dívidas que certamente não terá como pagar–
Valentina se deteve e se virou olhando para Alexander que continuava com seu sorriso presunçoso.
–Eu tenho ótimos contacto e fontes sobre cada empresa desse país. E pelos vistos os seus pais trouxeram você aqui para vender você a quem pagar mais como uma...–
–Não se atreva a me insultar! Eu não lhe dei tal intimidade para se meter na minha vida. E não me importa o que você acha ou deixa de achar–
Valentina se virou para sair mas seu pulso foi segurado com força.
–Me solte!– esbravejou tentando se soltar. Em vão.
–Escute bem, eu não sei que plano você é os seus pais estão tratando mas te digo uma coisa. Desista! Eu jamais me casaria com uma mulher que não amo, muito menos uma mulher tão lugar como você que é vendida ao público como uma peça de leilão. Então diga aos seus pais para pararem com Essa ideia estúpida de casamento porque não vai haver casamento nenhum–
–Pois eu digo o mesmo! Diga aos seus pais para te arranjarem uma noiva que te suporte e engula suas grosserias. Com o dinheiro que eles têm, de certeza que podem encontrar uma e comprar, já que certamente nunca vão achar alguém disposta a amar um homem como você de graça, mas pagando bem, tenho certeza que uma idiota aceitaria fazer esse papel e fingir que te ama–
Valentina soltou seu braço e saiu dali não fazendo ideia do estrago que suas palavras tinham feito nele.
Alexander cerrou o punho se lembrando daquelas mesmas palavras vindas de seus pais sempre que julgavam Leila, sempre dizendo que ela estava com ele apenas por interesse e pela fortuna da família. Ele sabia que aquilo não era verdade, que Leila o amava de verdade, mas a simples hipótese da mulher que ele amava, seu único e verdadeiro amor, ser uma interesseira que estava com ele apenas por dinheiro, era o suficiente para o enfurecer e lhe tirar o sono.
–Maldita!–
.......
Valentina acordou pela manhã em seu quarto, e ficou um tempo olhando o teto de seu quarto. Mal tinha dormido na noite anterior pois tinha pesadelos constantes onde seus pais a obrigavam a casar com aquele homem e sua vida se tornava num inferno.
Mas claro, aquilo era só um pesadelo, ela nunca deixaria aquilo acontecer. E foi bom ficar acordada a noite toda pois conseguiu pensar em um novo plano. Tentaria trabalho fora de Espanha onde seus pais não tinham influência, e com eles falindo, com certeza seria mais fácil. Não queria trabalhar fora antes para não ficar longe de sua irmã, mas não tinha escolha, era a única forma de sair daquela situação com sua dignidade sem ter de ser vendida para ninguém.
Valentina chegou a mesa do café da manhã, e sorriu para sua irmã indo dar um beijo nela, e soltou um "bom dia" seco para os demais enquanto se sentava.
–Ontem você e o Alexander saíram juntos da festa, para onde foram? Como foi?– perguntou a mãe sorrindo.

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