Valentina engoliu o doce em sua boca que de repente se tornou amargo e difícil de engolir. Estava tão nervosa quando seus pais lhe contaram sobre o jantar, que tinha se esquecido que aquele homem desagradável e detestável, era o filho único e herdeiro daquela família.
Alexander tirou uma risada seca de escárnio sem graça.
–Então esse é o seu passatempo de dondoca rica e mimada? Ter uma vida dupla? Fingindo ser uma secretária e na outra sendo a filha troféu dos Medina, é algum tipo de fetiche?–
Valentina apenas lançou um olhar afiado para Alexander, e se virou para sair, mas seu pulso foi segurado com força.
–Me solte! O que pensa que está fazendo?–
Alexander olhou para mulher com seu olhar frio sobre ela enquanto seu aperto no pulso dela aumentava.
–Você se fez passar por outra pessoa e entrou em meu escritório para me fazer de idiota. O que pretendia com isso?– Alexander apertou mais o pulso de Valentina.
–isso não é da sua conta! Agora me solte antes que eu gritei e faça um escândalo!– ameaçou o encarando ferozmente.
Alexander viu o olhar desafiador daquela mulher e sentiu uma faísca estranha e desconhecida em seu peito, algo que o atiçou ainda mais.
Alexander encurralou Valentina entre a mesa e seu corpo.
–Você entrou na minha empresa de forma clandestina como uma identidade falsa, e tentou me enganar para ser minha secretária, então isso é sim da minha conta e você vai me dizer o que pretendia com isso. É um hobby seu ir a entrevistas se fazendo passar por Secretaria e depois se oferecer em troca da vaga? Porque pela forma como está se expondo la no salão, claramente o seu corpo e rosto são as únicas coisas que você tem para dar, exibir e se mostrar– disse descendo os olhos para o decote decente mas farto dela, porém, antes que pudesse descer mais seu olhos, sentiu uma ardência em seu rosto causada pelo tapa estalado.
Um dos garçons que assistiam a cena como quem assiste a trama de uma novela mexicana, deixou cair a bandeja.
Não satisfeita, Valentina pegou numa taça de champanhe e a jogou no rosto de Alexander que ainda estava em choque pela acção repentina, inesperada e imprudente dela.
–Você é realmente um imbecil babaca, Com a mente pequena e limitada que apenas julga os outros pela aparecia com sua prepotência. Você não sabe nada sobre mim e eu não lhe dou o direito de me julgar. Então guarde suas palavras asquerosas machistas e preconceituosas para si e nunca mais me dirija a palavra–
Valentina se virou e saiu dali não deixando espaço para contestações.
Alexander pegou o guardanapo que um garçom lhe ofereceu, limpou seu rosto, e jogou o guardanapo com força e irritação na mesa, enquanto olhava para porta por onde Valentina tinha saído, com um punho cerrado de raiva.
–essa mulher... Como ela ousa agir assim comigo? Isso com certeza ainda não acabou– disse com o olhar irritado naquela direção, e novamente sentiu aquela faísca o atiçando.
Valentina voltou para o Salão e procurou uma brecha de como sair dali, mas logo um homem notavelmente mais velho a abordou interrompendo seus planos de fuga.
Valentina ouvia o homem e apenas tirava um nítido sorriso falso enquanto buscava com o olhar onde estavam seus pais para ela os evitar e fugir dali, e nessa procura com os olhares pelo salão, acabou encontrando os olhos cinza de Alexander que olhou para ela com ressentimento nítido por conta de seu recente encontro.
Alexander olhou para o homem que falava com ela, e um pequeno sorriso de deboche surgiu no canto de seus lábios como se insinuasse algo, que ele estava certo, e tal como disse antes, ela estava ali apenas se vendendo.
Valentina apertou seu vestido nos punhos, e ignorou o homem por completou começando a caminhar em direção a saída. Não ficaria mais naquele lugar. Já se sentia suja por estar ali apenas para conseguir "parcerias", mas o olhar daquele homem a julgando a fazia se sentir pior ainda.
–querida, onde você esteva?– Perguntou o pai assim que a alcançaram
–Pai eu não estou me sentindo bem, eu vou voltar para casa–
–Não se atreva!– disse a mãe –Se comporte, melhore essa cara e postura que algumas pessoas muito importantes querem conhecer você– disse a mãe com um sorriso entusiasmado o que era muito raro nela.
Valentina suspirou e antes que pudesse argumentar, sua mãe a segurou pelo pulso e ela sem poder fazer nada que não causasse um escândalo, seguiu os pais com os olhos baixos sem ânimo algum. Aquele noite não podia ficar pior.

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