Quase por instinto, Summer estendeu a mão para empurrar a colher de mingau e o homem para longe. “Eu disse que não quero comer.”
Com a força do empurrão, ouviu-se um estalo agudo.
A tigela de porcelana branca caiu no chão e se despedaçou, enquanto o mingau escorria lentamente, se espalhando pelo piso.
Ambos olharam para a cena, momentaneamente atônitos.
Fraser foi o primeiro a recuperar a compostura. Calmamente, apertou o botão de chamada na parede. Logo, um funcionário da limpeza chegou com os equipamentos e limpou os cacos de porcelana e o mingau derramado com rapidez e eficiência.
Depois que o funcionário saiu, o quarto do hospital parecia um balão inflado demais a tensão no ar parecia sufocar quem estivesse ali.
Os olhos de Summer vacilaram, e, após um longo momento, ela falou: “Eu... eu não quis fazer isso.”
“Eu sei.”
O rosto bonito de Fraser continuava sereno enquanto ele pegava um lenço de papel da mesa, tomava a mão dela e, com delicadeza, limpava os respingos de mingau em sua pele.
Summer o observava; a camisa preta dele estava ainda mais manchada, mas ele se concentrava apenas em limpá-la.
Sob a luz suave do quarto, os cílios longos de Fraser projetavam sombras sobre o rosto, acentuando o traço firme do maxilar.
Uma fisgada dolorosa percorreu o peito de Summer, espalhando-se pelos membros. Sua voz saiu rouca enquanto mordia o lábio e murmurava: “Eu... juro que não fiz por querer.”
Fraser jogou o lenço no lixo, seu olhar era tão suave quanto o luar. Seus olhos eram límpidos como cristal à noite, sua voz, magnética e gentil: “Eu não estou bravo com você.”
Uma névoa amarga tomou os olhos de Summer enquanto ela apertava com força a mão de Fraser, a voz embargada: “Eu te tratei tão mal... fui terrível com você...”
Ela sabia que não devia ter descontado nele.
Sabia que nada daquilo era culpa de Fraser.
O Pudding se foi, e, com certeza, quem mais estava sofrendo com isso era ele.
Como pude feri-lo assim, de forma tão descuidada?
Fraser levou a mão até a bochecha dela, com seus dedos limpando cuidadosamente as lágrimas no canto dos olhos. Seu tom era suave como um sopro: “Eu sei. Por isso mesmo não estou com raiva.”
Os olhos de Summer se tornaram ainda mais úmidos. Ela enterrou o rosto no peito dele, as mãos agarrando o tecido da camisa, amassando o linho liso com força.
“Eu só estou com raiva de mim mesma. Se não fosse por mim, o Pudding não teria morrido.”
Fraser a envolveu com os braços, apertando a cintura fina com um toque firme e reconfortante. Sua voz era grave e profunda: “Ele nunca te culparia. Então você também não deve se culpar, está bom?”
Summer se encolheu mais no abraço, murmurando com a voz abafada: “Tá bom...”
“Se algum dia eu for irracional de novo, você deve brigar comigo.”

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Reclamada pelo Sr. Bilionário
Não consigo abrir os capítulos...