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Querido ex, obrigada pela traição romance Capítulo 3

O set de gravação estava iluminado de maneira artificial demais, como se o sol tivesse se multiplicado em refletores que caíam sobre Eloise. A atriz estava em meio às últimas tomadas de um comercial de batom, um daqueles lançamentos luxuosos, com embalagem dourada e promessa de sofisticação imediata. Ela deslizava a cor nos lábios diante da câmera, inclinando o rosto no ângulo exato, com um olhar que sugeria autoconfiança e desejo.

O diretor de publicidade ergueu a mão, satisfeito:

— Corta! Perfeito, Eloise. É isso.

A equipe soltou um breve aplauso, protocolar, mas ainda assim caloroso. Eloise sorriu, aliviada. Gostava do trabalho, mas sabia que comerciais pediam perfeição em detalhes quase imperceptíveis, o que tornava o processo exaustivo. Uma assistente correu até ela, colocando um sobretudo macio sobre seus ombros para cobrir o vestido decotado.

— Obrigada — murmurou, ajeitando a gola e caminhando para fora do estúdio.

O corredor parecia mais silencioso, um respiro depois da intensidade do set. E foi ali que ela o viu: Jason, encostado na parede, de olhos fechados como se estivesse tentando se recompor depois de uma batalha. O cabelo desgrenhado, a camisa amassada e olheiras profundas. Ele abriu os olhos ao perceber sua aproximação.

Eloise ergueu uma sobrancelha, surpresa.

— Nossa, você está com uma cara ótima. — A ironia foi inevitável. — Imagino que a despedida de solteiro deve ter rendido.

Jason soltou uma risada curta, quase cansada.

— Rendeu, sim. Apesar de o noivo e o Phillip terem fugido, como dois desertores.

Ela riu também.

— Eles são espertos. — comentou. — Mas aposto que vocês deram conta sem eles.

— De um jeito ou de outro. — Jason deu de ombros, mas havia um brilho de humor em seus olhos. Por um instante, ficaram apenas se olhando. — Gostei da cor do seu cabelo.

Eloise levou as mãos aos fios por instinto e sorriu, havia pintado de loiro acobreado para seu novo papel em uma série.

— Obrigada, eu também gostei.

— Quer tomar um café? — ele perguntou e sua voz estava um pouco hesitante.

Ela puxou o celular da bolsa, desbloqueando a tela. Uma mensagem piscava ali, lembrando-a de um compromisso.

— Eu adoraria, mas tenho que encontrar o Wolly.

— Quem é Wolly? — Jason franziu o cenho, claramente perdido.

Eloise soltou uma gargalhada leve e espontânea.

— Você bebeu tanto que esqueceu o amigo que te acompanhou? Walter White, lembra? Você passou a noite com ele e o Lucas.

Jason piscou algumas vezes, até que a memória pareceu clarear.

— Aaaah, Walter! Claro. — Ele sorriu, relaxando. — Aquele cara é legal.

— É, ele é. — Ela confirmou, ainda rindo.

Jason inclinou-se um pouco para frente, insistindo:

— De qualquer forma, é só um café rápido.

Houve uma pausa. Eloise olhou para ele de novo, para o jeito como esperava a resposta com uma certa ansiedade mal disfarçada. Algo em sua expressão fez com que ela respirasse fundo e cedesse.

— Está bem. — Guardou o celular de volta. — Mas tem que ser rápido.

Ele sorriu de canto, satisfeito, e a conduziu para fora.

— Quando?

— Dois dias depois do casamento do Eduardo e da Jinx.

Ele respirou fundo, apertando a borda da xícara entre os dedos.

— Imagino que uma série levará bastante tempo. Quanto tempo você vai ficar lá?

Eloise suspirou, mexendo distraída na colherzinha de metal.

— Alguns meses... talvez um ano.

O silêncio que caiu sobre a mesa foi desconfortável. Jason desviou o olhar, encarando a rua através da janela, mas a tensão em seus ombros era evidente.

O celular de Eloise vibrou sobre a mesa com uma nova mensagem de Walter.

Ela se levantou quase de imediato, pegando suas coisas apressadamente, vestiu o sobretudo e guardou o celular na bolsa.

— Tenho que ir, ele está me esperando. — Pegou a bolsa, ajeitou no ombro e sorriu, agradecendo: — Obrigada pelo café.

— De nada, até logo.

Saiu sem olhar para trás, sem perceber o modo como o sorriso de Jason desapareceu, como se tivesse sido arrancado do rosto. Ele ficou ali, imóvel por alguns segundos, encarando a porta que agora se fechava lentamente.

A mão dele ainda segurava a xícara de café, agora completamente esquecida. O olhar se perdeu na espuma que restava no fundo e amargo que sentia no fundo da garganta. E foi só então que murmurou, baixo, quase como se falasse apenas para si mesmo:

— Um ano?

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