Entrar Via

Querido ex, obrigada pela traição romance Capítulo 17

Tentando se recompor, Katherine percebeu que não podia mais continuar assim. Embora seu emprego estivesse em jogo, ela sabia que o conselho de ética e seu supervisor estariam do seu lado, então voltou ao posto de enfermagem e ligou para Milly, uma de suas colegas enfermeiras, pedindo que ela mesma fizesse os exames de check-up, antes de procurar Samantha. Ao encontrá-la perto da sala de descanso, puxou-a de lado.

— Eu não consigo fazer isso. — Katherine deixou escapar, com a frustração transparecendo na voz.

Samantha franziu a testa.

— Fazer o quê? O que aconteceu?

Katherine passou a mão pelos cabelos e soltou um suspiro profundo.

— O Doutor White continua me pressionando para fazer isso, para continuar trabalhando com Ester e Adônis, como se meu trabalho dependesse disso. E talvez dependa, mas... não sei se é aqui que eu deveria estar. Adônis ainda tem algum tipo de influência na minha vida, e não posso seguir em frente se ele for sempre um fator.

Samantha a estudou por um longo momento antes de assentir.

— Então talvez seja hora de fazer uma escolha, Kate. O que você realmente quer?

Katherine cerrou os dentes.

— Não se trata apenas do que eu quero. É antiético. É um claro conflito de interesses, e mesmo assim o diretor não parece se importar. É como se preferisse fazer vista grossa a realmente fazer algo a respeito.

A expressão de Samantha se obscureceu.

— Isso é uma loucura.

— É. — murmurou Katherine. — E não sei se consigo continuar fingindo que não é. — Ela respirou fundo. — Vou usar minhas férias e transferir os cuidados da Ester para outro ginecologista e obstetra. Preciso dar um passo para trás e pensar melhor.

Samantha assentiu.

— Não tenho problema em aceitar o caso.

O alívio tomou conta de Katherine quando ela abriu o arquivo de Ester e o entregou a Samantha, explicando o que havia observado. Então, sem dizer mais nada, ela foi direto para a sala de seu supervisor.

Katherine respirou fundo enquanto caminhava pelo corredor em direção ao consultório da doutora Cristina Santi. Seu coração batia forte, frustração e exaustão se entrelaçando em seu peito. Ela precisava fazer isso, precisava pôr fim a qualquer jogo que o doutor White pensasse estar jogando.

Ela chegou à porta do escritório e bateu com firmeza.

— Entre. — disse Cristina, com a voz um pouco abafada. Ouviu-se o som de papel farfalhando, como se ela estivesse terminando um almoço tardio. —Quem é?

— É a Katherine. Você tem um minuto?

Houve uma pausa, então:

— Claro. Entre.

Katherine entrou e imediatamente encontrou o olhar penetrante e avaliador de Cristina. A mulher mais velha colocou de lado uma embalagem de comida para viagem e recostou-se na cadeira, os olhos examinando Katherine como se estivesse lendo seu pulso do outro lado da sala.

Cristina havia treinado Katherine, orientado-a e sempre a considerara uma das melhores ginecologistas e obstetras do departamento. Ela era confiante, equilibrada e minuciosa. Mas naquele momento, algo estava errado. Cristina podia perceber isso na tensão de seus ombros, na maneira como ela prendia a respiração por um segundo a mais antes de falar.

Cristina ainda mastigava enquanto olhava para cima, no meio do almoço, no meio do e-mail, no meio de tudo.

— O que está acontecendo?

Katherine não se sentou. Não conseguia. Ficou parada, rígida, com os braços cruzados, como se fossem a única coisa que a sustentasse.

— White me designou para uma paciente, Ester Royal, e não quer permitir que eu saia do caso.

Cristina mal reagiu no início, folheando seu Rolodex mental de nomes antes que seu garfo parasse no ar. Ela piscou.

— Espere. Royal. Tipo, do Adônis...?

— Namorada. Sim.

Cristina pousou o garfo. Devagar. Sua expressão era indecifrável, mas aquele único movimento provocou um arrepio na espinha de Katherine.

— Você está brincando.

— Eu bem que gostaria.

Por um segundo, Cristina apenas encarou, depois expirou com força, pressionando os dedos contra a têmpora.

[...]

À medida que Katherine começou a se sentir um pouco mais estável, ela deliberadamente pegou o caminho mais longo até seu consultório, evitando o corredor que levava ao quarto de Ester. A última coisa de que ela precisava era de mais um lembrete da confusão da qual estava tentando escapar.

Seu celular vibrou. Ela olhou para a tela. Uma mensagem de Phillip.

Phillip: Oi, linda. Mal posso esperar por hoje à noite. Mandei uma lembrancinha para você, deve estar te esperando no seu escritório agora mesmo😉

Sua respiração ficou presa.

Um presente?

Seu coração disparou por um momento, seus pés aceleraram o ritmo enquanto ela corria de volta para seu consultório.

No momento em que ela entrou, Samantha já estava lá, sorrindo.

— Garota. — ela praticamente gritou. — Tem um pacote aí dentro. Quem mandou?!

Katherine hesitou na porta de seu consultório, a mensagem de Phillip ainda acesa na tela.

Um presente. Ela deveria estar animada. Deveria estar sorrindo. Em vez disso, seus dedos pararam sobre a maçaneta, o coração martelando, uma dor que ela não havia processado completamente ainda pressionando suas costelas.

É apenas um presente, lembrou ela a si mesma, não uma promessa. Não um futuro.

Expirando, ela empurrou a porta.

A caixa estava sobre a mesa. Um pequeno cartão repousava em cima, com a letra de Phillip inclinada sobre ele.

“Para esta noite. Espero que você goste. Eu tenho ótimo gosto, não se preocupe.”

Uma risada — pequena e inesperada — escapou dela.

Ela passou os dedos levemente sobre a fita, traçando suas bordas lisas. Ela podia se permitir respirar normalmente.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido ex, obrigada pela traição