A fala do homem pega todos de surpresa, entretanto nada supera o rosto de Alice, que fica atônito com o que acaba de ouvir.
— Grávida? — questiona com a voz trêmula.
— Por sua reação, acredito que ainda não sabia — comenta o médico.
— Não, eu não sabia — responde, ainda sem acreditar. — Isso pode ser um engano, não acha?
— Os resultados são bem precisos, acredito que não haja nenhum engano, mas caso tenha alguma dúvida podemos refazê-los — sugere.
— Quero repeti-los — Alice responde apressadamente.
— Tudo bem, irei pedir que a equipe médica venha recolher novamente o seu sangue.
Após o médico sair da sala, Alice recebe toda atenção dos olhares dos pais.
— Um bebê? Não pensei que seria avó tão cedo — diz Silvia, aparentando um pouco de animação.
— Os exames serão refeitos, mãe, não fique animada, isso pode ser apenas um erro.
— Acho muito difícil ser um erro — George a interrompe. — A sua barriga parece um pouco alta.
— Para com isso — pede Alice, mas é ignorada pelos pais.
— Talvez seja um sinal positivo — George continua. — O Endrick se foi, mas deixou a sua semente na terra.
— Parem! — Alice pede mais uma vez, ao perceber estarem falando coisas sem sentido.
— Isso é bom para calar a boca daquela desgraçada da Dora — Silvia complementa.
— Eu pedi para pararem! — grita Alice.
— Não está feliz, filha? — George a questiona. — Terá um bebê.
— Como ficaria feliz na situação em que me encontro? — responde alterada. — Olhem para mim e pensem um pouco, isso não é uma hora para ter um bebê — lamenta.
— Pare com isso, os bebês sempre chegam na hora certa, acredito que essa criança esteja vindo para animar você. Percebe como o Endrick te amava? Ele não te deixou sozinha.
— Mãe, a senhora está deduzindo tudo errado.
— Do que está falando? — Silvia tem consciência de que Alice está preocupada.
— Esse bebê… — pondera. — Não é do Endrick — confessa.
Os pais de Alice ficam em silêncio, parecendo ter escutado o pior absurdo de sua vida.
— Como não? — George indaga após um longo período de silêncio.
— Vocês se esqueceram de que terminei com o Endrick? — pergunta.
— Sim, mas depois vocês passaram bastante tempo juntos.
— Mas não aconteceu nada — explica. — Já faz tempo que não acontecia nada entre nós.
— Então, quem é o pai desta criança, Alice? — Silvia pergunta.
Alice faz um silêncio ensurdecedor, sentindo um gosto amargo em sua boca. Ela sabe que aquele bebê é de Richard, mas não tem coragem de dizer aos pais, porque eles nem têm noção da relação que havia entre os dois, ainda mais por tudo acontecer num curto tempo.
Após alguns minutos, Laila chega ao cemitério e avista a amiga próximo a uma árvore.
— Por que não vai até lá? — Laila pergunta, assustando Alice, que parece distante.
— Não quero que a mãe dele faça outro escândalo — diz ela, sem tirar os olhos da pequena multidão. — O Endrick precisa descansar em paz.
— Amiga, o que ela fez não foi justo.
— Eu sei, mas o que eu poderia fazer no momento? — Pergunta Alice, com lágrimas nos olhos.
— De onde você veio? — Laila questiona.
— Estava no hospital — confessa.
— Você passou mal? Está tudo bem agora?
— Não está nada bem — responde, virando-se para encarar Laila, que a olha cheia de questionamentos. — Achei que com a ida do Endrick poderia retomar a minha vida normalmente, mas me esqueci de que conheci o Richard — comenta. — Pensei que não me lembraria mais dele, mas agora descobri que ele deixou algo em mim, que nem o tempo me fará esquecê-lo.
— Do que está falando?
— Estou esperando um filho do Richard, Laila, e não sei o que fazer com essa informação.
Laila faz a mesma cara de surpresa que os pais de Alice fizeram quando souberam da gravidez da filha, entretanto, diferente dos pais de Alice, ela sabia quem era o pai da criança.
— Amiga, meus parabéns — abraça Alice. — Isso significa que você irá rever o Richard novamente.
— Não, Laila, decidi que o Richard não saberá nunca sobre essa criança — confessa Alice.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido CEO, seu bebê quer te conhecer!