Endrick teve febre e dores no início da manhã, então Alice chamou o médico para examiná-lo em casa.
Após a consulta domiciliar, o médico o medicou e deu algumas instruções.
— Obrigada por vir, doutor Cury. — Alice agradece, acompanhando o médico até a saída.
— Fiz tudo o que pude, mas creio que chegará o tempo em que os medicamentos não farão mais efeito. — A confissão do médico a pegou desprevenida.
— O que acha que devo fazer para ajudá-lo? — ela questiona.
— No estágio atual da doença, não o deixe sozinho.
— Irei tentar, mas não é sempre que posso.
— Sei que é difícil lidar com a correria do dia a dia, mas você deve lembrar que ele não tem tanto tempo. Se parar algo em sua vida pessoal, pode correr para recuperar, porque a vida te dá isso. Mas o tempo com o Endrick jamais voltará, hoje ele está aqui, mas amanhã pode se tornar apenas saudade.
As palavras do médico são o suficiente para fazer Alice decidir sobre a sua vida. Ela teria todo o tempo do mundo para correr atrás da sua graduação, do emprego, dos sonhos e do futuro, mas Endrick não teria a mesma oportunidade. Naquele dia, Alice decidiu que pararia não só os estudos, mas também a sua vida para cuidar de Endrick.
Voltando para o quarto, ela se senta ao lado da cama onde Endrick está deitado.
— Sua mãe já deve estar chegando, não é? — pergunta preocupada.
— Sim, ela chega daqui a pouco — Endrick responde. — Você já vai para casa?
— Irei aproveitar que ela estará aqui e arrumarei algumas coisas para retornar mais tarde.
— Não precisa fazer isso, não quero atrapalhar a sua vida.
— Você não está atrapalhando, só quero priorizar o que é mais importante no momento, além disso, temos uma viagem para fazer.
— Você conseguiu a licença na faculdade?
— Sim, eu consegui — mente.
— Isso não vai te prejudicar em nada?
— Não vai, não se preocupe, já está tudo resolvido.
— Não vejo a hora de viajarmos juntos — Endrick sorri animado.
— Eu também, Endrick — responde ela.
Após alguns minutos, Endrick volta a dormir e Alice vai para a sala esperar a ex-sogra.
Quando Dora Shaw entra na casa do filho e avista a ex-nora, sua face muda totalmente. Ela encara Alice com desprezo.
— O que faz aqui? — Dora questiona com voz de desdém.
— Passei a noite com o Endrick, já que ele não está se sentindo bem — responde Alice, tentando ignorar o jeito como a mulher lhe encara.
— Fique longe do meu filho! — ordena Dora.
— Eu não vou ficar — diz Alice com a voz firme. — Sei que não gosta de mim, mas essa é a casa do seu filho e ele me disse que sou bem-vinda aqui, então enquanto ele me aceitar aqui dentro, eu irei vir.
— Se você não pode me esperar por mais um tempo, como acha que daríamos certo?
— Eu poderia te esperar se eu conseguisse enxergar um pouco de consideração da sua parte, mas você está demonstrando que não sente o mesmo por mim.
— Como ousa falar do que sinto ou não? Richard, eu gosto de você, mas gostaria que você entendesse o que está acontecendo.
— Sei o que está acontecendo, é você que não conseguiu entender ainda. Aquele cara morrerá, Alice, é difícil para você aceitar, mas ele morrerá! E sabe o que acontecerá depois? Você terá que lidar com o vazio. Pois é isso que vai te restar. Você não terá o Endrick, nem o seu diploma, não terá o seu trabalho e também não terá a mim.
As palavras dele são duras, como pedras.
— Só o tempo dirá o que irá me restar — indaga Alice, segurando o choro.
— Alice, eu gosto de você e até posso aceitar que quer o ajudar nos últimos dias, mas desista dessa droga de viagem e faça o que pode por aqui.
— Eu já prometi para ele, não me entende?
— E nós? — ele pergunta.
— Como podemos falar em nós, se estamos focados apenas no eu?
— Se fizer isso, não olhe nos meus olhos nunca mais — Richard a ameaça, numa tentativa de fazê-la retroceder.
Uma lágrima solitária insinua cair dos olhos de Alice, mas ela engole o choro.
— Então acho que esse é o nosso adeus, Richard — diz ela, olhando nos olhos dele pela última vez.

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