Ver a empolgação de Alice deixa Laila feliz, ainda mais por saber que a amiga sairia dali com a cabeça erguida, entretanto algo a incomodava.
— Quer dizer que vai me deixar sozinha?
— Não fique assim, ainda nos veremos na faculdade.
— E quando nos graduarmos? O que será de mim sem minha melhor amiga?
— Você pode me visitar nos Estados Unidos quando me estabelecer por lá.
— Isso não é justo — Laila diz se sentindo triste antes mesmo da amiga partir. — Vou sentir tanto a sua falta.
— Eu também, mas não se preocupe muito agora. Proponho vivermos um dia de cada vez e deixar essa história de lado por enquanto, ou ficarei triste também.
— Amiga, você vai namorar um homem podre de rico e trabalhará na empresa dele, como posso deixar isso para lá? Meu Deus, você conseguiu subir tanto na vida em apenas alguns dias.
— Para com isso, Laila! — empurra a amiga com o ombro. — Desse jeito faz parecer que estou com ele por interesse.
— Sei que não está, mas poderá usufruir de tudo que ele tem.
— Não é com isso que estou preocupada, só quero que a gente se dê bem.
— E vão dar. Conforme o que me disse, é possível notar que ele está apaixonado por você.
— O Richard é diferente de todos os homens que conheci.
— Como se você tivesse conhecido vários — Laila começa a gargalhar, ao lembrar a amiga que ela só teve um homem na vida. — Qualquer homem seria diferente do que você conheceu — continua com a brincadeira.
— Não estou falando disso, sua boba — revira os olhos. — Mas não vou te explicar porque você não está preparada para essa conversa.
— Tudo bem, amiga, vou parar com as minhas brincadeiras, só quero dizer que estou muito orgulhosa de você e de como encarou aquela bruxa com classe.
— Nem me fale isso, eu queria dizer mais coisas para ela, mas sei que seria um desrespeito com todos os presentes naquela sala.
— Não ligue mais para isso, você está saindo daqui com a cabeça erguida e vai trabalhar num lugar onde será respeitada por todos, ainda mais quando descobrirem que você é a namorada do chefe.
— Quer que me acusem de nepotismo? — brinca. — Ainda preciso conversar muito com o Richard sobre essas coisas e acho que terei mais tempo para me organizar agora, já que sou uma desempregada — ri nervosa.
— Você não é desempregada e sim uma ótima profissional já requisitada para trabalhar no exterior. Pense assim que fica mais chique.
As duas caem na risada, até que Alice é chamada para entrar na sala do Rh, onde se desvincula daquela empresa.
— Acompanhe o meu sorriso por fotos, pois estarei longe demais para ser alcançada.
Alice vira as costas e sai dali, sentindo-se vitoriosa por poder fazer com que Carmem fique em seu devido lugar.
Ao entrar no carro, pensa em ir direto para casa, na intenção de preparar um jantar para receber Richard, que chegaria cansado do trabalho. A ideia de que agora poderia aproveitar mais o seu tempo com ele a deixa empolgada, então liga o carro, mas o barulho de seu celular tocando em sua bolsa lhe chama a atenção. Ao olhar para a tela do celular, vê o nome de Endrick, então atende preocupada.
— Endrick, está tudo bem? — pergunta ao atender o telefone.
— Olá, me chamo Grace Evans, sou enfermeira do hospital central e estou ligando para a senhorita para saber se você conhece o dono desse número de telefone.
— Sim, eu o conheço, ele se chama Endrick Shaw, por acaso ele perdeu o celular? — Alice pergunta preocupada.
— Na verdade, esse rapaz foi encontrado caído desacordado na rua. Por sorte, uma ambulância passava pelo local e o avistou, trazendo-o imediatamente para o hospital. Não encontramos nenhum documento com ele, e por ele continuar desacordado, decidimos contatar alguém da lista telefônica do celular que carregava. O seu nome estava salvo como amor, então creio que você possa contatar os familiares dele.
— Onde é mesmo que ele está agora?
— No hospital central.
— Por favor, cuidem dele, o Endrick está doente — disse ela, desligando o telefone e indo para o hospital.

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