Alice pensa num jeito de explicar para o ex-namorado a relação dela com Richard, mas naquele momento nem ela mesma sabe o que está acontecendo.
— É meio estranho o que vou dizer — diz nervosa. — Mas quando cheguei lá, ele já estava — responde.
— Como assim?
— Meus pais alugaram o apartamento, sem eu saber — explica. — Acho que eles não imaginavam que eu sairia da sua casa.
— Então você está morando lá, mesmo que o apartamento esteja ocupado? — questiona.
— Sim, mas ele é uma pessoa legal, me deixou ficar.
— Alice! — a adverte. — Você está morando com um estranho?
— Ele não é um estranho — corrige. — Eu não tive outra escolha e é por pouco tempo, daqui a uns meses ele vai embora.
— Como não teve outra escolha? Poderia ficar na nossa casa, isso evitaria muitas coisas, até mesmo a confusão que causou com a minha mãe.
— Endrick, para! — pede. — Você sabe que isso não daria certo.
— Vivemos por tantos anos juntos, acha mesmo que eu faria questão de deixá-la lá?
— A questão não é essa, você sabe.
— Tudo bem — responde triste. — Acho que me excedi um pouco, não posso questioná-la pelas decisões que toma.
— Não estou dizendo que está errado, só quero que não se preocupe com isso — toca a mão dele, o olhando nos olhos. — Deve cuidar da sua saúde, isso é o mais importante agora.
— Sei — pondera. — Para te falar a verdade, eu te chamei porque quero te contar algo.
— O que aconteceu? — pergunta preocupada.
— Não é nada sério, só estou pensando em viajar — revela.
— Por acaso irá viajar para algum lugar onde fará algum tratamento novo?
— Não, não tem nada a ver com isso — declara. — Como te disse, não há mais esperanças para mim e é sabendo disso, que me recuso a passar os restos dos dias que tenho numa cama de hospital.
— Mas Endrick, aparentemente você está tão bem.
— É porque optei por não fazer mais tratamentos. Sabe, eu nunca te contei, mas quando era criança, fui diagnosticado com leucemia. Meus pais me auxiliaram com o tratamento e fiz tudo o que os médicos sugeriram. Daí então eu me remi.
— Por que nunca me contou isso?
— Porque foi uma fase ruim da minha vida que fiz questão de esquecer e não queria que ninguém soubesse. Sofri muito na época, que cheguei até a pedir a morte, por conta das dores e do tratamento invasivo. Sei que se tentar alguma coisa novamente, acontecerá o mesmo, ainda mais por essa doença estar num estado avançado. Por isso, optei pelos cuidados paliativos.
— Como pôde fazer isso comigo, Endrick? — pergunta com vontade de chorar. — O que fui todos esses anos para você, me diz? Eu te contei tudo sobre a minha vida, desde que me entendo por gente e mesmo assim, além de me esconder o seu passado, você fez questão de esconder o que está acontecendo no presente com você.
— Só queria te poupar dessas coisas ruins.
— Acha mesmo que conseguiu o que queria?
— Para falar a verdade, eu acredito que sim — responde sério. — Faz apenas alguns dias que você saiu de casa e parece que a sua vida está indo muito bem, então creio que fiz a escolha certa.
— Quando recebi meu diagnóstico e vi que não tenho muito tempo, planejei a nossa viagem — revela.
— Endrick… — Alice não sabe o que dizer.
— Iria levá-la para passar uns dias lá e, quando voltasse, terminaria com você — confessa. — Mas você foi mais rápida que eu. — Ele sorri, mas o seu sorriso parece amargo.
— Nunca pensei que estaria planejando isso.
— Como terminou comigo, adiantei a viagem e irei por conta própria.
— Você planeja ir sozinho? — questiona preocupada.
— Sim.
— Está louco e se por acaso passar mal ou precisar de algo?
— Sei me virar, não se preocupe.
— Não pode fazer isso, você está doen… — para de falar no mesmo instante.
— Doente! Pode falar, não precisa ter medo de dizer esta palavra. É a pura verdade e sabemos disso.
— Endrick você não pode ir sozinho, é perigoso para você.
— Não se preocupe comigo, vou conseguir conhecer a Suíça, nem que isso seja a última coisa que eu faça nesta vida. Para ser sincero, queria ir com você, para poder me despedir de um modo mais digno, mas seria muito egoísmo meu pedir algo assim, não acha?

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido CEO, seu bebê quer te conhecer!