“Sim.” Lorena elevou a voz: “É ele mesmo, Marco.”
Nivaldo estreitou os olhos de maneira perigosa. “O que aconteceu com ele?”
“Não sei exatamente o que houve, quando cheguei lá, só vi de longe a Evelina empurrando-o.” O semblante de Lorena tornou-se sério. “Fique atento, ele provavelmente ainda está tentando importunar a Evelina.”
Os olhos negros de Nivaldo tornaram-se ainda mais profundos, cobertos por uma camada de gelo assustadora.
Depois de dizer o que precisava, Lorena não quis mais atrapalhar o trabalho dele. Levantou-se e disse: “Vou indo, fique atento ao que faz.”
“Entendido.”
Lorena sempre confiava muito nele.
Ela assentiu com a cabeça e saiu.
No amplo escritório, Nivaldo recostou-se no sofá, os dedos da mão direita tamborilando suavemente no estofado, exalando uma aura de indiferença. Seus olhos negros permaneciam serenos, sem qualquer emoção aparente.
Ninguém sabia o que ele estava pensando.
————
O céu foi tingido por tons de vermelho ao entardecer.
Evelina olhou para o grupo de pessoas que se aglomerava ao redor do sofá, todas conversando animadamente, e arqueou as sobrancelhas. “Por que ainda não foram embora?”
Alice respondeu com entusiasmo: “A Érica vai a um encontro hoje à noite, estamos ajudando ela a se maquiar.”
Evelina aproximou-se, observando Érica, que estava cercada pelas amigas.
Aquela que costumava ser extrovertida e desinibida, dessa vez, mostrava um raro traço de timidez no rosto.
Evelina brincou, sorrindo: “Se der certo, todas vocês terão parte do mérito.”
Alice riu e puxou Evelina para mais perto. “Evelina, faça a maquiagem dos olhos da Érica. Da última vez, aquela maquiagem que você fez para a cliente ficou linda, a Larissa estava falando disso agora há pouco.”
Larissa sorriu: “É verdade, sempre quis aprender o seu truque. Mostre-nos um pouco do seu talento, chefe.”
Mariana também sorriu: “Quero aprender junto.”
Mariana cobriu a boca, rindo: “Também não vejo nada.”
Alice fez beicinho, com olhos marejados: “Estou tão triste, sou tão sincera, mas ninguém percebe. Vocês não têm coração.”
Seu jeito brincalhão fez todas caírem na risada.
Érica finalmente não aguentou e interrompeu a encenação: “Já disse para parar de ver tanta novela, está ficando maluca.”
Alice retrucou: “A Larissa assiste série curta todo dia e nem ficou assim, eu só vejo novela séria, não faz mal à cabeça.”
Larissa ouviu e se jogou nos braços de Alice: “O que tem a ver com minhas séries curtas? Quem assiste série curta nem usa o cérebro, não faz mal nenhum.”
As duas riram e se divertiram juntas.
Durante o trabalho eram adultos sérios e responsáveis, mas fora dele, pareciam crianças de dois ou três anos.
Evelina balançou a cabeça, entre o carinho e a resignação. Quando percebeu que já estava quase na hora, disse: “Se continuarem assim, vai escurecer. Vocês querem ou não que a Érica tenha sucesso no encontro?”

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