Marco permaneceu com a expressão impassível, com a mão direita apoiada no balcão, sem demonstrar qualquer emoção no olhar. “E a Evelina?”
A resposta de Alice foi como sempre: “Não veio.”
Marco virou-se para o lado de Evelina, fixando o olhar na direção do corredor à frente. “Não veio ou não quer me ver?”
A voz saíra tão baixa que parecia um murmúrio, quase uma ironia dirigida a si mesmo.
Alice ficou surpresa, encarou-o de modo estranho, abriu a boca como se fosse falar algo, mas no fim preferiu agir como se nada tivesse ouvido, tampouco disse qualquer coisa.
Marco não se importou. Pisca lentamente, a expressão nos olhos tornou-se indecifrável, e logo caminhou para onde seu olhar recaía.
Quando Alice percebeu, ficou paralisada de susto.
Ela rapidamente bloqueou o caminho de Marco, irritada e preocupada, disse: “O que você pensa que está fazendo? Tem clientes em sessão de fotos lá dentro, por favor, não entre para atrapalhar.”
Marco lançou-lhe um olhar de soslaio.
Ele era mais de uma cabeça mais alto que Alice, e esse olhar de cima para baixo fez com que Alice sentisse uma pressão esmagadora, o coração até acelerou.
“Saia da frente.” Marco falou, a voz fria como o vento gelado de julho. “Preciso falar com Evelina.”
De fato, Alice se assustou com a postura imponente dele, mas manteve-se firme, não querendo ceder. “Evelina não está.”
Marco retrucou: “Se está ou não, eu mesmo posso comprovar.”
Assim que terminou, levantou a mão, prestes a afastar Alice.
“Pare.”
A voz feminina, fria como uma lâmina, cortou o ambiente com determinação.
A mão de Marco parou no ar. Ergueu o olhar e finalmente encontrou a pessoa que tanto esperara.
A mulher vestia uma camisa branca, com as mangas arregaçadas até os antebraços. O cabelo, preso com um grampo atrás da cabeça, deixava algumas mechas soltas caindo sobre a testa, conferindo-lhe um ar prático e elegante. Mesmo sem maquiagem, sua beleza permanecia intacta, ainda mais delicada e sofisticada.
Alice olhou de relance para Marco, que, apesar da expressão abatida, ainda exalava uma aura intimidadora, e respondeu preocupada: “Evelina, eu ainda...”
Evelina deu-lhe um tapinha na mão. “Pode ir, depois vou te convidar para um café.”
Alice assentiu e se afastou, olhando para trás a cada passo.
O olhar de Marco repousava sobre Evelina com ternura, e a voz saiu cheia de afeto: “Evelina.”
Evelina ergueu as pálpebras e lançou-lhe um olhar gélido como uma lâmina: “Não me chame assim.”
Em seguida, sem esperar qualquer reação dele, passou por seu lado, o tom distante e carregado de desprezo: “Acho que já disse várias vezes que não quero te ver. O que foi? Ontem a Carolina veio, hoje é você. Aqui virou ponto turístico? Todos querem vir aqui marcar presença?”
Enquanto falava, Marco já a acompanhava até a porta.
Evelina olhou para fora, sem sequer levantar as pálpebras, fez um gesto convidativo com a mão e, com a voz tão fria quanto sempre, completou:

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Quando o Coração se Encontra