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Quando Ele Arrependeu, Eu Já Era Outra romance Capítulo 68

Sofia ficou atônita.

Não esperava que Miguel tratasse de assuntos pessoais com ela dentro da empresa.

— Miguel, nós já...

— Ainda não nos divorciamos. E você não vai me dizer que esqueceu que dia é sábado, vai?

Miguel nem levantou a cabeça.

Sofia, claro, lembrava.

Sábado era o aniversário de setenta anos de Valdemar.

Miguel nem precisava explicar.

Ela sabia exatamente o que aquilo significava.

Toda vez que Valdemar fazia aniversário, antigos amigos iam visitar ele.

E o que mais elogiavam era sempre a culinária de Sofia.

— Está bem. Eu sei.

Miguel sorriu de leve.

Sabia que, sendo o aniversário de Valdemar, Sofia jamais recusaria.

— Não há mais nada. Pode sair.

Sofia deixou o escritório.

Quando voltou à mesa, o coração ainda estava confuso.

Ela já tinha decidido se divorciar de Miguel.

Mesmo assim, continuava presa a ele, presa à família Castro.

Na sexta-feira à noite, depois do expediente, Sofia foi direto para a Mansão dos Castro.

Era o aniversário de Valdemar.

A família dava enorme importância à data.

E ela também.

Durante o horário de almoço, Sofia já havia organizado o cardápio.

Alguns ingredientes não precisavam ser comprados na feira de madrugada.

Depois do trabalho, passou primeiro no supermercado.

Com duas sacolas grandes em cada mão, parou à beira da rua para chamar um carro por aplicativo.

Um Maybach preto estacionou diante dela, o vidro desceu.

Como já imaginava, era Miguel.

— Eu também estou indo para lá. Vamos juntos.

Miguel sabia que o destino dela era a Mansão dos Castro.

Todos os anos, no aniversário de Valdemar, Sofia começava os preparativos com antecedência.

Ela ficou parada por alguns segundos, no fim, decidiu entrar.

Se Miguel também ia para a mansão, chegar separadamente poderia fazer Valdemar pensar demais.

Ele permaneceu calado o tempo todo.

Como se nunca tivesse sido ele quem, dias antes, conversava animadamente com Isabela dentro do carro.

Sem perceber, Sofia acabou cochilando.

Quando acordou, o carro já estava estacionado.

Ela notou que havia uma manta sobre seus ombros.

Preta.

De lã fina.

Macia ao toque.

Reconheceu imediatamente.

Era igual à manta que havia aparecido sobre ela quando adormeceu na mesa do escritório.

Então... aquela era a manta de Miguel?

O coração dela acelerou involuntariamente.

Mas logo achou que estava imaginando demais.

Talvez fosse apenas um modelo distribuído pela empresa, e todos tivessem uma igual.

Respirou fundo, impediu que a mente criasse ilusões.

E desceu do carro.

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