O que deixava Sofia mais intrigada era o fato de, justamente no momento mais miserável da sua vida, ter encontrado Miguel e Isabela.
Será que existia mesmo tanta coincidência assim no mundo?
Laura rangeu os dentes, indignada:
— O Miguel é um completo canalha! Você toda machucada daquele jeito, e ele ainda teve coragem de ir embora de carro?! E ainda por cima com a Isabela! Não quer se divorciar, mas continua traindo... ele é o quê, bipolar?!
A análise de Laura arrancou um sorriso amargo de Sofia.
Se comparasse o Miguel adolescente que ela conhecera na unidade socioeducativa com o Miguel de agora, Sofia até concordava com Laura.
— Não fica chateada se eu xingar ele, tá? — Laura disse, ainda cautelosa com os sentimentos dela.
Sofia suspirou:
— Eu já estou tentando me divorciar dele. Não vou mais ficar do lado dele.
Laura lançou um olhar desconfiado para Sofia e balançou a cabeça.
— Isso ainda está pra ver...
Sofia sabia que seu [coração de novela] sempre foi motivo de dor de cabeça para Laura.
— Sofia!
A porta do quarto se abriu de repente. Era Gustavo.
Ao ver Sofia deitada na cama do hospital e Laura ao lado, ele percebeu o quanto tinha sido inconveniente.
— Desculpa... eu devia ter batido na porta antes.
Sofia não se importou.
Apresentou Laura e Gustavo um ao outro, e Laura imediatamente começou a forçar uma aproximação entre os dois.
Ela apontou para Gustavo com o polegar levantado:
— Esse aqui presta. Olha como ele está preocupado com você, chegou até ofegante. Mil vezes melhor que aquele Miguel.
Elogiado, Gustavo sorriu de forma tímida e um pouco orgulhosa, coçando a nuca.
Sofia ficou meio constrangida, com medo de que Gustavo levasse aquilo a sério.
— Quase esqueci. — Disse ele, mudando de assunto. — Falei com meu amigo do tribunal. Ele disse que o seu divórcio dá pra sair, sim.
Os olhos de Sofia se iluminaram, mas logo perderam o brilho:
— Mas...
— Fica tranquila. Ele é juiz. Disse que não importa o quão poderoso o outro lado seja, se houver provas claras de traição, o divórcio sai.
Ele comprou todas as roupas que Isabela experimentou.
Quando já era noite, Miguel levou Isabela de volta para casa.
A chuva continuava caindo sem parar.
Ele sempre acompanhava Isabela até a porta do apartamento.
Dessa vez, não foi diferente.
— Descansa bem. Boa noite.
Quando ele se virou para ir embora, Isabela segurou a mão dele:
— Miguel...
Ela o puxou para dentro do apartamento:
— Está chovendo tanto... você sabe que eu tenho medo de trovão...
A voz de Isabela era doce, quase pegajosa, como algodão-doce.
O rosto delicadamente maquiado parecia ainda mais rosado refletido nos olhos de Miguel.
— Hoje você não vai embora, vai? Fica comigo... só essa noite, pode ser?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Quando Ele Arrependeu, Eu Já Era Outra
Cadê o final do livro???...
Miguel e Sofia ♥ ♥...