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PROVE DO SEU VENENO - A vingança do CEO sombrio romance Capítulo 2

Os dois arregalaram os olhos, incrédulos com o quanto meu plano era perfeito.

— Enquanto não pagam o seu resgate... será que poderia pagar a conta, senhora? — disse a atendente. — Caso contrário, terei que sequestrar a comida de vocês e chamar a polícia.

Polícia? Não, nem pensar. Um escândalo ali, junto de Lisandro, faria meu pai ficar furioso e isso arruinaria a sua reputação. E isso sim faria o meu pai ficar furioso.

Peguei a minha carteira e entreguei a bolsa para a mulher. Uma Hermès preta, básica, mas que valia mais do que todo aquele lugar.

Ela arqueou uma sobrancelha:

— Não aceitamos o pagamento em bolsas.

— Mande avaliar, garota — Lucy disse, irritada — essa bolsa paga essa espelunca toda e ainda sobra troco.

A atendente olhou para mim e depois para a bolsa e levou, certamente para mandar avaliar. Eu duvidava que alguém ali sabia o exato valor da minha bolsa.

— Você está louca, Paige! — Lisandro disse. — seu pai te mataria.

— Prefiro morrer a casar com um homem que eu nunca vi na vida, Lisandro. Eu quero ficar com você... para sempre. Pessoas ricas são sequestradas o tempo todo. E isso é até relativamente comum.

— Sim, é. E todos os sequestradores são presos e nunca mais saem da cadeia para contar a história.

— Isso quando não são mortos antes mesmo de chegar na delegacia. — disse Lucy.

Meu telefone vibrou. Olhei a mensagem:

“Olá, senhorita Paige! Meu nome é Helena Voss e fui contratada para coordenar seu casamento. Seu pai já autorizou o início dos preparativos e gostaria de agendar uma breve reunião para conhecer suas preferências e expectativas para o grande dia. Será um prazer ajudá-la em cada etapa. Aguardo seu retorno!”

Recostei-me no encosto do banco desconfortável, atordoada. Definitivamente, meu pai não estava brincando. Eu o conhecia o suficiente para saber que aquilo era sério.

Entreguei o celular para Lisandro, a fim de que ele visse a mensagem:

— Meu pai está disposto a sacrificar a própria filha em nome da carreira — senti um aperto no peito, real, como há muito tempo não sentia — Precisamos agir rapidamente. É a minha vida que está em jogo... o nosso amor, Lisandro.

— Isso é loucura! — ele disse, atordoado.

— Lisandro, está na hora de deixar de lado o seu moralismo. Ganharei tempo e deixarei tudo acontecer. Enquanto isso, procuramos a pessoa disposta a fazer isso.

— Quanto acha que cobrarão para sequestrar a filha do futuro presidente do país? — Lisandro me olhou.

— Nada que eu não possa pagar.

E foi ali, naquela pequena lanchonete, que organizamos tudo.

Quando voltei para casa, pedi desculpas ao meu pai e disse que aceitaria o casamento. Em troca, quando acabasse o contrato, ele teria que aceitar o meu relacionamento com Lisandro.

Rafael Bellini, meu pai, disse sim. E eu fingi que acreditei. Conhecia o meu pai muito bem para saber que ele jamais aceitaria que eu me casasse com alguém como Lisandro Silva. Contei com o amor dele e a esperança que, futuramente, entendesse o motivo pelo qual agi daquela forma.

Fui com Lucy e Lisandro até um antigo galpão no meio do nada, do outro lado da cidade, onde o amigo do tio dela nos apresentou o homem que se dispôs a me sequestrar no caminho da igreja. Lá também mandei fazer novos documentos e passaportes para mim e Lisandro.

O tempo que nos pediram para a documentação falsa ficar pronta coincidiria com a data do casamento, que também seria o dia do sequestro.

Tive que pagar tudo adiantado. E o preço não foi tão alto quanto eu esperava. Eu nunca me importei muito com o valor das coisas. Nunca fui privada de nada. Mas percebi, em menos de uma hora numa lanchonete, o quanto era horrível ficar sem um cartão de crédito. E eu jamais passaria por aquilo de novo.

Meu pai precisava entender que eu não era uma moeda de troca. E que era adulta o bastante para tomar minhas próprias decisões. E inteligente a ponto de fazer com que tudo acontecesse do jeito que eu queria.

Comprei as passagens para os Estados Unidos com saída no dia exato do casamento.

E foi assim que traçamos o plano perfeito. O que não botamos em discussão, em nenhum momento, foi o nome de Alessandro De Lucca Montrelli.

Nunca passou pela minha cabeça que o centro de tudo nunca foi o meu pai e sim o homem mais poderoso do mundo, o qual todos já tinham ouvido falar, mas nunca ninguém viu o rosto.

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