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PROMETIDA AO ABISMO romance Capítulo 3

Capítulo 4

O quarto ainda parecia carregar o eco das palavras venenosas de Amélia. Melissa permanecia de pé, imóvel, tentando recuperar o fôlego depois do b**e-boca. A luz do sol já havia se rendido à escuridão, e o silêncio do entardecer só fazia crescer a sensação de sufoco dentro daquela casa.

Ela se aproximou da janela e observou o céu, as nuvens sendo engolidas pela noite. Pensou em Dom, na promessa de que viria ao seu encontro. Era nele que encontrava forças para se manter de pé.

A porta voltou a se abrir, e desta vez Sônia entrou sozinha, com o olhar duro e cansado de quem não aceita ser contrariada.

— Você pensa mesmo que Dom vai conseguir mudar alguma coisa? — perguntou, sem rodeios. — Ele não tem poder nenhum contra o homem que escolhemos para você.

Melissa manteve o silêncio, mas o coração pulsava de medo.

Sônia se aproximou e acrescentou, quase sussurrando:

— Esse casamento não é só um capricho. É um acordo. O futuro da nossa família depende disso.

Melissa ergueu o queixo, encarando-a de frente.

— A família depende ou você depende, Sônia? Porque desde o começo só vejo você e Amélia pensando no que vão ganhar com isso.

Por um instante, o rosto da madrasta endureceu, mas em vez de responder, ela saiu, batendo a porta com força.

Minutos depois, Amélia voltou ao quarto, como uma sombra que se recusa a desaparecer.

— Você fala como se tivesse escolha, Melissa — disse com ironia. — Mas você é só uma boneca quebrada. Sem graça, sem charme, sem nada.

Ela abriu novamente o guarda-roupa e riu ao ver os cabides.

— Sempre a mesma coisa… roupas largas, nada de vestidos marcando o corpo, nada que chame atenção. Quem vai te querer assim?

Melissa sentiu o frio da realidade percorrer sua espinha. Mas apesar do terror, havia também uma chama de esperança: Dom havia prometido que viria, e ela confiava nele.

De repente, o som de uma buzina ecoou pela rua silenciosa. Melissa correu até a janela, o coração disparado. Entre as sombras da noite, os faróis de um carro se acenderam diante da casa.

Ela não teve dúvidas: Dom havia chegado.

O coração disparava, misto de medo e expectativa. Pela primeira vez, a realidade parecia tão próxima que podia tocá-la.

A figura que desceu do carro parecia silenciosa, quase sobrenatural, os faróis refletindo no vidro como olhos que a observavam.

Um frio percorreu sua espinha. Dom havia chegado… mas quem realmente estava ali?

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