Acordei ouvindo diversas vozes ao mesmo tempo e um bip infernal que me causava um latejar absurdo na cabeça. Doía muito. Com certeza não morri, já que sinto dor. O barulho me deixou ciente que estava em um hospital, mas onde exatamente? Minha mente estava muito confusa e cheguei a pensar que era mais um dos episódios das surras do Matheus que me levava até a emergência.
Quanto ele me surrou dessa vez? Sonhei que tinha me libertado, mas era tudo uma fuga da minha mente?
Após alguns instantes de pânico, consegui identificar a voz de alguém ao meu redor e nunca imaginei que compreender outro idioma me faria tão bem assim. Não foi ilusão, dessa vez não foi o Matheus que me direcionou até a emergência. Como uma tormenta, meu desastroso primeiro dia em Londres voltou a minha mente. Gemi de desgosto. Como pude atravessar uma avenida sem olhar, nem no Brasil eu fazia tamanha tolice, fui cometer esse erro absurdo logo aqui. Sou a única culpada, ninguém mais.
Meu corpo todo doía e estava me sentindo meio atordoada, foi com muito esforço que consegui abrir os olhos para fechá-los rapidamente em seguida por conta da claridade. Assim que me adaptei com a luz forte, observei ao meu redor e me deparei com um quarto de hotel muito sofisticado. Na realidade, estava mais para um hotel chique que via diariamente na TV nos filmes de romance que amava assistir. Tirando a cama de hospital, muito confortável por sinal, e os diversos aparelhos que estavam ligados a mim, o quarto era excepcional.
Logo ao lado da cama, tinha duas poltronas que pareciam muito confortáveis, mais ao lado tinha uma mesinha com jarra de água, café e outra que provavelmente era chá, e diversos aperitivos, que fizeram meu estomago roncar.
Do outro lado do quarto, havia um sofá enorme que tomava praticamente a parede inteira. A porta de acesso ao quarto estava ali próxima, assim como outras duas portas, que julguei uma sendo o banheiro e não consegui identificar a outra.
Será que os hospitais públicos de Londres são assim? Como um estalo, me veio a voz da minha mãe, me avisando que os outros países não eram iguais o Brasil, que por mais que o SUS fosse horrível, tinha hospitais públicos. Esse aqui só podia ser particular.
Quando esse pensamento me atravessou, meu coração disparou aumentando aquele bip miserável, fazendo algum tipo de alarme soar e imediatamente diversos médicos e enfermeiras entraram no quarto correndo, procurando entender o que estava acontecendo comigo. Estava infartando, com certeza.
Aos poucos, o ar voltou aos meus pulmões, me causando um alívio imediato. O bip infernal começou a normalizar conforme ia me acalmando.
— Isso, boa garota. — Ele sorriu
Assim que tudo normalizou, consegui reparar nele e o que vi, me fez prender a respiração. Ele tinha os olhos mais azuis que já tinha visto na vida. Sua postura era elegante — rico com certeza — usava terno feito sob medida, porque não tinha nada de tecido sobrando, o vestia muito bem. Seu cabelo muito bem penteado, era de um castanho claro, com alguns fios loiros. Não podia negar que muito provavelmente embaixo daquele terno, havia um homem com um corpo de deixar qualquer mulher babando. Ele era lindo demais para o meu próprio bem.

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