— Ele… ele não protegeu ela — Suzi comentou, meio confusa. — A Mariela foi levada pela polícia.
Os olhos claros de Alana transbordaram surpresa, mas ela disfarçou rapidamente:
— Ele provavelmente não queria ser muito explícito na frente de todo mundo.
Com tantos olhares voltados para a Mariela, o fato de ela ter sido levada para interrogatório foi só um momento passageiro sob os holofotes. Para o Daniel, é muito melhor mexer os palitinhos nos bastidores do que bater de frente em público, o que só queimaria a reputação da Mariela.
— Agora há pouco, o assistente do crápula do Daniel deu uma entrevista para os repórteres lá embaixo, dizendo que ele não ia favorecer a Mariela de jeito nenhum e que as autoridades iam lidar com tudo de forma imparcial. — Suzi chegou a se perguntar se estava com algum problema de audição.
Ela até suspeitou de que seu celular estivesse quebrado ou que o vídeo da transmissão ao vivo tivesse sido adulterado. Mas ela nem tinha saído do elevador para conferir a cena e os repórteres, doidos por um furo, já tinham encerrado a transmissão. Isso provava que o ouvido dela estava ótimo e que a notícia era real!
Olhando a multidão se espalhar lá embaixo pela janela, Alana disse:
— Eles só dizem essas coisas para os outros ouvirem. Como você consegue acreditar em tudo?
Ela mesma não acreditava em um único sinal de pontuação que saísse da boca de Daniel agora.
— Do que vocês estão falando? — Eduardo entrou no quarto e olhou para Suzi, que parecia pensativa.
Uma enfermeira apareceu logo atrás dele, segurando uma prancheta:
— Olá, Sra. Alana. A senhora já pode ir para a ala VIP no quinto andar. Um funcionário vem num instante para levar as suas coisas.
Alana tinha sido trazida às pressas na noite anterior, e como Edgar não tinha muito dinheiro com ele, ela acabou ficando em um quarto comum. Eduardo foi quem resolveu pagar do próprio bolso para transferi-la para um quarto melhor.
Assim que a enfermeira terminou de falar, Eduardo deu um toque em Suzi:
— Ajude ela a descer. Eu fico aqui de olho enquanto arrumam as coisas.
— Meu irmão é tão atencioso! — Suzi fez um sinal de positivo, esquecendo na hora o assunto de antes.
No fim das contas, o destino de Mariela dependia do resultado da investigação da polícia. Ela deu um passo à frente, segurou o braço esquerdo de Alana e se empolgou:
— Ir para a ala VIP é perfeito! As poltronas e camas para os acompanhantes são muito mais macias; vai ser ótimo para mim!
— Não precisa, eu estou bem aqui — Alana comentou, sem graça de ir para a ala VIP.
A diária ali devia custar pelo menos quatro dígitos, e sua situação financeira atual não combinava com esse tipo de luxo. Embora Ricardo estivesse preso e provavelmente seria obrigado a pagar uma indenização no futuro, ela tinha medo de não ter dinheiro suficiente agora nem para cobrir os custos processuais contra ele.
— Eu vou deixar todas as suas despesas médicas pagas antecipadamente — Eduardo percebeu o que ela estava pensando num instante. Ele começou a organizar as coisas dela, sem dar margem para recusas. — Você me paga depois, quando o Ricardo for condenado e sair a indenização.
Alana abriu a boca para falar, mas hesitou. Por algum motivo, sentiu que Eduardo estava agindo de forma estranha hoje. Ao contrário do seu jeito sempre super dócil e suave, ele exibia uma firmeza que tornava difícil dizer não.
— Ah, por que você está sendo tão cheia de dedos com a gente? Mesmo quando receber a indenização, você arriscou a vida por isso, então fique com o dinheiro para você! — Suzi foi logo puxando ela para fora.
A enfermeira as acompanhou pelo corredor até a nova ala. Mesmo sem nenhum ferimento grave além do braço na tipoia, Alana não tinha forças para resistir ao puxão empolgado de Suzi.
As duas chegaram primeiro ao quarto VIP no quinto andar. Uns dez minutos depois, Eduardo apareceu com duas enfermeiras que traziam os pertences, além de uma sacola com café da manhã. Edgar até tinha comprado algo para Alana mais cedo, mas ela nem conseguiu tocar na comida. O quarto esteve cheio de gente a manhã toda, o mingau tinha esfriado e ela nem pensava mais em comer.
— Como você quer que o seu corpo se recupere se você não comer nada? — Eduardo colocou um canudo no mingau e entregou para ela. Depois, abriu duas caixinhas de pãezinhos. — São daquela sua loja favorita, experimente.
Suzi esticou o pescoço para espiar o que o irmão tinha trazido:
— Irmão, você é um santo!
Sem tirar os olhos do que fazia, Eduardo soltou um:
— É mesmo?
— Sim! — Suzi garantiu. — Mas por que você nunca me trata tão bem assim?

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