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O ÚLTIMO BEIJO... ANTES DO DIVÓRCIO romance Capítulo 26

Rebecca apertou os lábios, soltou um palavrão em voz baixa e se virou para o pai com o cenho franzido.

— Vem comigo, pai, e rápido — disse irritada, apontando com a mão para a porta. — Te conto a fofoca no caminho.

Curtis, surpreso com a urgência na voz dela, mal conseguiu se levantar enquanto Rebecca chamava a moça do serviço e lhe dizia com tom apressado:

— Coloca os cafés em recipientes pra viagem. Precisamos ir agora.

A moça saiu correndo para a cozinha enquanto Rebecca se dirigia para a entrada com passo firme. Curtis a seguia sem entender, um pouco curvado, como se quisesse alcançá-la para pedir explicações, mas sabendo que naquele estado de fúria nada a faria parar.

O motorista já os esperava com o motor ligado. Mal subiram no Rolls Royce, a moça lhes alcançou os cafés e Rebecca deu a instrução com firmeza, com aquele tom que não admitia réplica.

— Nos leve ao prédio dos escritórios Sheppard. E rápido.

O carro arrancou, deslizando pelas ruas da cidade, enquanto um silêncio desconfortável tomava conta do interior. Curtis, que nunca havia visto a filha tão agitada logo de manhã cedo, nem tentou conter a curiosidade.

— Rebecca, o que diabos está acontecendo? — perguntou, com a xícara de café na mão e uma mistura de impaciência e ansiedade no rosto.

Rebecca baixou o vidro, deixando entrar uma lufada de ar fresco, e fez um gesto para o pai.

— Fica perto da janela — disse com segurança. — Não quero que suje o meu Rolls Royce.

Curtis franziu o cenho, confuso, mas obedeceu e se inclinou em direção à janela enquanto tomava o café, como uma criança curiosa que teme a bronca.

Rebecca baixou a voz, cravando os olhos nos do pai.

— Vou te dar a versão resumida… o bebê que a Julie Ann está esperando é na verdade do pai do Henry.

O café saiu disparado da boca de Curtis numa tosse monumental que foi pela janela afora. Engasgado pela surpresa, levou a mão à boca, vermelho de espanto.

— O que você disse?! — exclamou com os olhos arregalados, ainda tossindo, e Rebecca o olhou de soslaio com um gesto de resignação misturado com suspiro.

— Por isso não queria que sujasse o Rolls Royce — repetiu com ironia, sacudindo a mão como se espantasse o drama.

Curtis ficou alguns segundos processando o que acabara de ouvir. O silêncio voltou a se instalar, mas desta vez estava carregado de incredulidade.

— Agora conta como aconteceu! Não é? Como você soube?

Rebecca se acomodou no assento, cruzou as pernas e começou a narrar com calma, como quem organiza um quebra-cabeça cheio de peças horríveis.

— O Henry foi diagnosticado com infertilidade, então mandou fazer um exame de paternidade para o bebê da Julie Ann. Os resultados confirmaram. A Carlota soube primeiro e teve um infarto. A Chelsea entrou em colapso, foi pra cima do pai na porrada. E o Henry… — pausou, lembrando da cena com um arrepio. — O Henry deu uma surra em Chase e o expulsou a chutes do hospital.

Curtis soltou um assobio baixo, incrédulo, balançando a cabeça.

— Que espetáculo… — murmurou com os olhos bem abertos.

Rebecca o ignorou e continuou, mais séria, com o olhar fixo na janela como se buscasse na paisagem urbana uma maneira de não se abalar.

— Nem preciso dizer que o coitado está destruído. E ainda por cima suspeita que o pai também pode ter sido o responsável pelo desvio dos cinco milhões dos computadores defeituosos. Diz que agora acredita que ele é capaz de qualquer coisa.

O PRIMEIRO BEIJO... DEPOIS DO DIVÓRCIO. CAPÍTULO 26. Má coordenação 1

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