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O ÚLTIMO BEIJO... ANTES DO DIVÓRCIO romance Capítulo 23

No estacionamento do hospital, o ar cheirava a umidade e fumaça de cigarro. Chase saiu cambaleando, com o nariz sangrando e o rosto desfeito, e mal conseguiu se virar para focalizar Henry antes de apontá-lo com um dedo trêmulo.

— Você é louco! — gritou com voz rouca e a raiva misturada com um medo que tentava esconder. — Tudo isso é mentira! Com certeza alguém falsificou esse resultado!

O filho o encarou com uma calma perigosa que não era calma nenhuma, mas sim a corda bamba antes do desabamento.

— Os nove laboratórios falsificaram o resultado? — retrucou com ironia venenosa, se aproximando passo a passo. — Todos, seu miserável? Os nove?

Chase recuou um pouco, engolindo seco, porque aquilo ele não havia esperado. Tinha ficado surpreso quando o hospital ligou por causa do colapso de Carlota e, claro, foi o primeiro a chegar, mas quando lhe entregaram a bolsa dela e viu aqueles resultados dentro, percebeu que as coisas tinham fugido do seu controle.

— Isso não prova nada — murmurou, tentando recuperar a firmeza. — Com certeza a Rebecca ou o pai dela estão por trás disso! Eles sempre quiseram te destruir. Você não pode acreditar em qualquer papel que apareça na sua frente!

Henry soltou uma risada amarga.

— A Rebecca? Agora vai culpar ela? — o encurralou, elevando o tom. — Vai culpar ela também pelo infarto que quase matou a mamãe? Ou pelo fato de que a Julie Ann está esperando um filho que todo mundo dizia que era meu, mas que na verdade… — parou, engolindo o ar com dificuldade. — Que na verdade é seu?!

Chase agitou as mãos, nervoso, com um gesto desajeitado.

— Isso não é verdade! Eu e a Julie Ann jamais…

— Cala a boca! — o interrompeu Henry, furioso. — Por isso ficaram tão agitados quando eu disse que ia fazer o exame de paternidade! Por isso a Julie Ann imediatamente depois foi atrás de um jeito de abortar! Você acha que eu sou idiota?! Eu mesmo ouvi ela dizer que não ia parar enquanto não perdesse esse bebê, porque sabia que não era meu!

— Claro que é seu, Henry! Como você pode duvidar disso?! A Julie Ann te ama, esses documentos são falsos!

Henry resfolegou com raiva e, sem pensar, o empurrou contra o carro. Lutou com ele, enfiou a mão na jaqueta e arrancou um envelope amassado que estava escondido no bolso interno.

— Se é falso, por que diabos você roubou da mamãe? — rugiu, erguendo os papéis na frente do rosto dele. — Responde!

Chase ficou sem palavras, e o silêncio o delatou muito mais do que qualquer desculpa.

— Quer saber como eu tenho certeza de que esses resultados não são falsos, como eu tenho certeza de que o bebê da Julie Ann não é meu? — cuspiu com raiva. — Porque acabaram de me diagnosticar com infertilidade!

Dos presentes, a única que não demonstrou surpresa foi Rebecca, mas Chelsea se sobressaltou e Camilo piscou inquieto.

Henry olhou para o pai como se estivesse vendo o ser mais desprezível sobre a face da terra.

— Você é uma escória! — cuspiu, com o tom sufocado entre raiva e nojo. — Como você foi capaz de engravidar a Julie Ann? Eu sei que não sou o mais indicado para falar de moral… mas se meter com a mulher do seu filho e deixá-la grávida… isso já não tem nome. É uma nojeira!

Chase se recompôs com uma expressão que variava entre a impotência e o desprezo. Tinha que haver uma razão pela qual a Julie Ann não conseguia engravidar de Henry — então era essa. O filho era infértil.

O PRIMEIRO BEIJO... DEPOIS DO DIVÓRCIO. CAPÍTULO 23. Sal na ferida 1

O PRIMEIRO BEIJO... DEPOIS DO DIVÓRCIO. CAPÍTULO 23. Sal na ferida 2

O PRIMEIRO BEIJO... DEPOIS DO DIVÓRCIO. CAPÍTULO 23. Sal na ferida 3

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