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O ÚLTIMO BEIJO... ANTES DO DIVÓRCIO romance Capítulo 21

Bruno abriu a boca, possivelmente para se defender, mas Rebecca não lhe deu oportunidade de falar. Tinha o rosto aceso, os olhos fixos nele, e aquela calma tensa que só aparecia quando estava prestes a explodir.

— Não se dê ao trabalho de se explicar — disse com voz baixa, mas firme. — Não me faça passar por idiota, Bruno. Você sabia perfeitamente que o Henry estava atrás de mim e mesmo assim continuou me interrogando, esperando que eu dissesse algo ruim sobre ele.

O homem à sua frente apertou os lábios, porque evidentemente as coisas não haviam saído como esperava.

— Não foi assim, Rebecca, eu só…

— Claro que foi — o interrompeu ela enquanto um sorriso irônico aparecia no rosto. — Todo aquele discurso sobre confiança e risco era para me provocar, para que eu dissesse o que você queria ouvir.

Bruno soltou um suspiro e apoiou as mãos sobre a mesa.

— Só estava tentando te proteger… — garantiu, e ela fez um gesto que era uma mistura de amargura e decepção.

— Proteger? — repetiu. — O único que você fez foi tentar me manipular. Mas se enganou numa coisa.

Bruno franziu o cenho.

— Em quê?

— Em acreditar que eu poderia dizer algo que o Henry não soubesse — respondeu ela com o desprezo dançando na ponta da língua. — Ele já sabe tudo de ruim que penso dele, porque já leu dois anos dos meus pensamentos ruins, Bruno. E também sabe que possivelmente recuperar a minha confiança vai levar a mesma quantidade de anos que ele ficou me martirizando. — O silêncio ficou desconfortável entre os três. Henry continuava de pé atrás dela, quieto, observando. — Mas você, Bruno — continuou Rebecca. — Acabou de perder minha confiança por completo.

Bruno se inclinou em direção a ela, e as palavras saíram como um sibilo entre os dentes.

— Não diga isso. Só quis te ajudar, Rebecca. Não pode me culpar por me preocupar.

— Posso sim — respondeu ela sem hesitar. — Porque eu não me deixo pressionar nem por Deus, quanto menos me obrigam a fazer algo que não quero.

— O que você não quer é deixar o Henry, então? — insistiu ele, tentando provocá-la de novo, e Rebecca o olhou com calma, embora por dentro sentisse uma ebulição de emoções.

— Não — disse dando de ombros. — Não quero deixá-lo. E isso, Bruno, é só problema meu.

Ele tentou sustentar o olhar, mas Rebecca já havia decidido que a conversa tinha terminado, então se levantou devagar, sem elevar a voz.

— Se daqui para frente quiser falar sobre as bolsas, fale com a Seija. Você não tem mais nada a tratar comigo.

E sem lhe dar tempo de responder, se virou e caminhou em direção a Henry.

Ele não disse nada. Apenas lhe ofereceu a mão com um gesto tranquilo, e Rebecca a tomou. Saíram do restaurante sob os olhares curiosos de alguns comensais, mas nenhum dos dois pareceu notar.

Na rua, o ar estava mais fresco, e Rebecca respirou fundo, tentando liberar a tensão acumulada. Henry caminhava ao lado dela em silêncio, como se aquele simples passeio fosse suficiente.

— Vai dizer algo? — perguntou ela por fim, mas ele girou a cabeça com um sorriso que mal se notava.

— Com a surra verbal que acabou de dar no Bruno, melhor não. Você não se deixa pressionar nem por Deus, lembra?

Rebecca revirOU os olhos, mas já sabia que ele estava tranquilo.

— O que você está fazendo aqui? Pensei que não viria hoje.

Henry deu de ombros.

— Arranjei tempo e fui ao seu escritório. Queria te convidar para almoçar, mas sua assistente me disse que você tinha ido àquele restaurante com o Bruno. — Fez uma pausa, olhando para ela de soslaio. — Suponho que tive um colapso de ciúme.

Rebecca soltou uma risadinha, embora ainda sentisse uma pontada de culpa.

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