Na noite anterior, Luna dormiu excepcionalmente cedo e profundamente, sem que o nervosismo ou a inquietação lhe tirassem o sono.
Acordou pouco depois das sete.
As manhãs de inverno amanheciam tarde. Ao abrir as cortinas, a luz da aurora era tênue, o céu de um azul pálido ainda salpicado por algumas estrelas, e uma névoa fina pairava no ar, como um véu sobre a terra.
Ao longe, a alvorada tingia o céu de um tom rosado.
O dia prometia ser ensolarado.
Ela ficou parada em frente à janela, o olhar vago e perdido na paisagem, os pensamentos à deriva.
Depois de um tempo, virou-se para o banheiro para se arrumar e, em seguida, foi ao closet, onde escolheu uma roupa mais casual, com uma jaqueta de plumas branca e curta por cima.
Ao descer, as luzes da sala de estar e de jantar estavam acesas, e ruídos vinham da cozinha.
Ela se aproximou e viu uma figura familiar ocupada lá dentro, com Dona Ana, ao que parecia, ajudando-o.
Mateus se virou com um prato na mão, viu-a e sorriu ao seu encontro. — Querida, por que acordou tão cedo?
— Fui dormir cedo ontem à noite. — respondeu Luna com gentileza. — E você? O que está fazendo?
— Estou aprendendo com a Dona Ana a fazer pastel de carne. Acabei de fazer uma porção.
Mateus colocou o prato na mesa, pegou um com o garfo, assoprou e o levou aos lábios de Luna. — Prove primeiro. Coma devagar, cuidado para não se queimar.
Luna olhou para o pastel que ele havia assoprado, franziu a testa e sentiu uma forte repulsa.
Mas não podia recusar. Respirou fundo e, com o profissionalismo de uma "atriz", deu uma pequena mordida na borda crocante.
Com medo de que ele percebesse algo, ela ainda acrescentou uma explicação: — O sabor está bom, mas é um pouco oleoso. Não posso comer. Tem outro café da manhã?
— Culpa minha, culpa minha. Eu só pensei em como você gostava de pastel de carne na faculdade e esqueci que, grávida, não pode comer coisas gordurosas.
Mateus ficou surpreso por um momento, depois se desculpou sinceramente, colocando na boca o resto do pastel que ela havia mordido. Com um sorriso, disse: — Fiz um mingau de arroz doce e também preparei wontons de camarão. Ainda não cozinhei, espere um pouco.
Dito isso, ele se virou e voltou para a cozinha.
Luna olhou para os pastéis no prato, seu olhar se escurecendo.
Ela se lembrava que, na época da faculdade, havia uma loja especializada em pastéis perto do portão norte, longe do departamento de finanças de Mateus. Uma viagem de bicicleta levava vinte minutos.
Mas, naquela época, para conquistá-la, ele comprou café da manhã para ela no portão norte por mais de um mês consecutivo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O Segredo por Trás da Traição
Porque não abre os capítulos? Que chato,não quer liberar? normal, é só não disponibilizar, mas já que disponibilizou libera os capítulos....