Às três horas, Hansen chegou, vestindo um terno elegante.
Todos os executivos do Grupo Richards se levantaram, apreensivos.
Hansen sempre foi muito pontual nas reuniões. Sempre achou pretensiosos os líderes que chegavam atrasados.
Ele também não permitia que sua equipe se atrasasse.
Quando Jenna acordou e foi correndo para lá, a reunião estava prestes a começar!
Hansen olhou para ela, parada na porta, tímida. Seus olhos estavam vermelhos e inchados. As mãos, envoltas em gaze branca. Ela segurava um caderno na mão esquerda.
"Entre e sente-se", disse ele, apontando para o assento vazio ao seu lado.
Jenna entrou, calada, mas atordoada.
Ela não esperava que seu lugar fosse ao lado de Hansen.
Aria estava à sua frente.
Ela estava vestida de forma encantadora, os olhos amendoados exalavam confiança e orgulho.
Encarou Jenna, como se quisesse mostrar superioridade. Disse, séria:
"Senhorita Murphy, a reunião é às 3 horas. Acho que Perrie já havia deixado claro. Por favor, siga as regras da empresa a partir de agora."
Jenna continuou ali, sem olhar para ela.
"Humpf!" Hansen bufou e olhou para Aria, que fechou a cara com sua reação. Parou de falar quando viu que ele havia ficado irritado.
“Vamos começar,” ele limpou sua voz e olhou para a ferida de Jenna. Ela estava sentada ao lado dele, mas se virou para o outro lado, de costas para ele.
Ele esboçou um sorriso.
Ela deve ter feito aquilo de propósito! Ainda deve ter rancor dele.
"Sr. Richards, todo o equipamento foi preparado, inclusive o que será usado na festa. Por favor, dê uma olhada, senhor." Perrie Peters usava um terno profissional e tinha um ar astuto. Como assistente especial de Hansen, agia com competência. Sua maquiagem elegante e o bom humor representavam o profissionalismo do Grupo Richards.
"Está bem," Hansen assentiu. Pegou a lista das mãos de Perrie e a examinou. Então entregou para Aria.
Aria a pegou e esboçou um sorriso: "Sr. Richards, não se preocupe. Este local está sob minha responsabilidade. Está de acordo com o estilo da alta sociedade do país e do exterior. Tenho certeza que ficará satisfeito."
Hansen assentiu. Tinha certeza. Como filha do prefeito McAdams, da Cidade A, ela era influenciada por vários eventos de moda desde criança. Tinha bom gosto para moda e tendências. Não seria difícil para ela projetar e montar um local como aquele.
"Para a coletiva de imprensa desta vez, vamos focar na venda de carros de luxo. Devemos ter certeza de que abrange o mercado global. Este ano, o principal projeto do Grupo Richards é expandir para toda a Ásia, assumir o mercado global e aproveitar novas oportunidades." Hansen tamborilou na mesa. Suas palavras eram claras e determinadas.
Jenna não entendia o que Hansen queria dela. Pela lógica, se não estivesse sob contrato, mesmo um executivo não poderia participar das reuniões confidenciais relacionadas aos segredos comerciais da empresa. E ela era uma funcionária não oficial.
No entanto, Hansen pediu que ela comparecesse.
Ele até deu um jeito de ela se sentar ao lado dele.
Ela não conseguia entender sua intenção, mas tolerou, porque não importava muito para ela.
"Sr. Richards, estes são alguns projetos recentes dos designers do Grupo Richards. Por favor, dê uma olhada, senhor." Newman Grote do departamento de design se aproximou. Entregou uma pilha de desenhos e respondia às perguntas de Hansen de tempos em tempos.
As sobrancelhas de Hansen se contraíram; ele estava pensando enquanto fazia suas perguntas. Nenhuma emoção podia ser vista em seu rosto.
Depois de muito tempo, ele se virou para Jenna.
"Senhorita Murphy, gostaria de dar uma olhada nesses designs?" Seus olhos demonstravam curiosidade.
Jenna estava quieta. Viu como Hansen olhava para Aria cheio de admiração. No entanto, quando se virou para pedir sua opinião, ela não conseguia entender o que ele estava sentindo e ficou desconfiada.
Estava claro que ele não confiava nela!
Jenna zombou por dentro.
Só então entendeu por que Hansen havia pedido que ela estivesse ali. Porque não confiava nela.
A princípio, aquela teria sido sua casa e ela teria uma responsabilidade na empresa. Agora, no entanto, ela não tinha nada a ver com o lugar. Sentia que era ridículo estar ali.
Esboçou um sorriso. Estendeu a mão esquerda para pegar os desenhos e os folheou. Sem pensar, rasgou-os e jogou na lata de lixo ao seu lado.
"Jenna, o que está fazendo?" Aria estava furiosa e gritou: "Que comportamento é esse? Você não respeita os esforços de outras pessoas. Você deve saber que este é o trabalho de vários designers seniores da nossa empresa. Eles levaram muito tempo para criá-los, mas você jogou tudo na lata de lixo. Como ousa fazer isso?"
Jenna limpou os pedaços de papel de sua mão. Lançou um sorriso brincalhão para Aria.
Ignorou sua fúria.
Quando entrou, ela já tinha visto o modelo na tela e o rejeitou na mesma hora!
Era difícil que as pessoas engessadas em seus pensamentos mudassem de ideia, especialmente as mais velhas.
Somente quando fossem destruídas poderiam ser restabelecidas. Se ainda existissem, afetariam sua maneira de pensar.
Projetos fabricados localmente nunca romperiam aquela limitação!
Quando ela o viu, já tinha entendido!
"Que arrogante!" Aria estava cheia de raiva. Sorriu com desdém e perguntou: "Nesse caso, por favor, senhorita Murphy, mostre-nos seus projetos e nos ensine como deve ser."
"Eu não tenho nenhum," Jenna encolheu os ombros e respondeu, diante de seu olhar agressivo.
"Você não tem nenhum?" Aria zombou. Disse com um sorriso forçado: "Nesse caso, você deve ter só desenhado os modelos anteriores, ou talvez não tenha habilidade alguma."
"Tudo é possível," Jenna não negou, mas foi sincera. Aquele carro tinha sido projetado para Hansen. Ela não estava de bom humor e e não sabia se conseguiria desenhar um modelo melhor. Portanto, respondeu de maneira direta. Seus olhos brilhavam e sua expressão era calma.
No entanto, sua observação aguçada não era falsa. No momento, era aquilo que podia oferecer.
"Foi ideia sua me convidar, eu não pedi para estar aqui", ela disse com calma.
"Como esperado, ela é uma fraude." Aria pensou, com um sorriso largo. Olhou para Hansen com os olhos escuros.
Desta vez, ele saberia que aquela mulher não era tão boa assim. Ela não sabia nada, e ele não deveria ficar hipnotizado por sua aparência. Ela só teve sorte daquela vez. Aria se sentia feliz.
Naquele momento, a expressão de Hansen era tão ilegível que ninguém conseguia dizer o que ele estava pensando.
"Não se esqueça de suas responsabilidades." Ele se virou para encarar Jenna e bufou.
"Claro, eu sempre vou lembrar. Mas não esqueça sua promessa, Sr. Richards. Pode ser algo simples para você, mas eu ainda não consegui. Para mim, inspiração não é algo que vem quando eu quero. Afinal, a boa inspiração vem da vida, e não se pode apressar isso." Jenna ergueu as sobrancelhas e sorriu.
Hansen se sentiu confortado.
Evitou o sorriso dela e se virou.
Maldita mulher, como podia sorrir em um momento como aquele? Ele já estava perdido? Sempre que observava cada movimento dela, sua imaginação corria solta?
Inacreditável!

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