O fato de Natália ter sido sequestrada em Milão não afetou em nada o apetite dela.
Amália sentou-se à mesa e comeu com muito gosto.
Chegou até a parecer um pouco despreocupada.
Todos os empregados da casa notaram.
O sequestro de Natália em outro país era um segredo bem guardado pela família Laginha, portanto, Kelly e sua mãe, Zenilda, não tinham ouvido nada a respeito.
As duas sentaram-se à mesa junto com Amália. Enquanto Amália soprava o vapor do prato à sua frente e comia o terceiro pastelzinho, Zenilda não conseguiu mais esperar e perguntou: “Amália, tudo o que você disse ontem na família Laginha no Bosque dos Ipês foi verdade?”
“……”
Amália franziu a testa. Ela havia dito muitas coisas ontem na família Laginha no Bosque dos Ipês. A qual delas Zenilda se referia?
Zenilda pareceu perceber a dúvida de Amália e explicou: “Estou falando daquilo que você disse sobre se divorciar do Osvaldo e deixar sua irmã te substituir nessa posição?”
“Ah.” Amália assentiu, sorrindo de leve. “Sim, se vocês conseguirem convencer o Osvaldo, eu colaboro.”
Zenilda sorriu satisfeita, e no rosto de Kelly, coberto de maquiagem, surgiu um leve ar de timidez.
“Então está combinado. Não vale voltar atrás, hein.”
“Quando foi que eu já voltei atrás, Sra. Saramago?” Amália arqueou as sobrancelhas e sorriu suavemente.
Durante todos esses anos, ela nunca havia chamado a Sra. Saramago, sua mãe biológica, de mãe.
Embora tivesse vindo ao mundo através dela, entre as duas, além do cordão umbilical, não existia mais nenhum laço afetivo.
Por isso, ela não conseguia ser carinhosa com a Sra. Saramago.
Naturalmente, o sentimento da Sra. Saramago por ela também era o mesmo.

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