Amália Saramago ficou paralisada, semicerrando os olhos, e, enquanto Adonias Laginha se aproximava, involuntariamente inspirou profundamente.
Em momento algum sentiu o conhecido aroma de cedro no corpo de Osvaldo Laginha.
Ele...
Não era Osvaldo.
Mais uma vez, Amália advertiu a si mesma.
Por que razão sempre associava ele a Osvaldo?
“Está tudo bem?” A voz atenciosa de Adonias soou novamente.
“Estou bem, obrigada.” Amália balançou a cabeça e, com a ajuda de Adonias, endireitou-se.
“Vá sentar um pouco ali, já termino aqui.”
“Tá bom.”
Amália foi até o outro lado, sentou-se e pegou uma garrafa de água gelada na geladeira. Ela desenroscou a tampa e tomou um gole.
Sentou-se ali, observando Adonias subir na escada e continuar o trabalho com concentração.
Ele vestia-se de forma simples: uma camiseta branca e calça preta.
Ao ajustar a posição da câmera próximo à parede, a linha das costas dele ficava tensa e os músculos dos braços se destacavam.
Naquele momento, Amália quase já não se lembrava de como era o porte físico de Osvaldo.
Por um instante, ela ficou surpresa.
Afinal, mesmo sem amor, ela e Osvaldo ainda tinham uma relação conjugal.
Ela ainda carregava o filho de Osvaldo em seu ventre.
Fazia tão pouco tempo desde o divórcio.
E, mesmo assim, o que preenchia seu olhar era apenas a imagem de Adonias.
Ficava claro, assim, que um casamento sustentado apenas por relações físicas realmente não era sólido.
Nem mesmo um filho mudava isso.

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