“O que você disse? Ai—”
Amália levantou o olhar surpresa e, sem querer, acabou cortando o dedo indicador da mão esquerda com a faca de frutas.
“Nossa, está sangrando.”
Filomena, ao ver as gotas de sangue vermelho vivo saindo rapidamente, virou-se para pegar a caixa de primeiros socorros, que continha spray antisséptico e band-aids.
Amália aplicou o spray antisséptico e, a pedido insistente de Filomena, colou um band-aid no dedo.
Esse pequeno acidente acabou chamando a atenção de Rafael, que só ficou tranquilo ao saber que Amália havia se machucado por descuido próprio.
“Você disse que a pessoa do apartamento ao lado se parece muito com o Marcos?” Amália repetiu cada palavra devagar.
“Sim.” Filomena confirmou com um aceno de cabeça.
“Vou lá ver o quanto se parece.” Amália decidiu imediatamente.
“Ei—”
Filomena tentou impedi-la, mas, nesse breve momento de hesitação, Amália já havia atravessado a sala apressada.
Às vezes, sua querida era ainda mais impulsiva do que ela.
Filomena correu para alcançá-la.
Amália já havia aberto a porta e batido na porta do vizinho.
Sávio toc-toc—
“Minha querida, será que isso é mesmo apropriado?” Filomena sussurrou ao alcançá-la.
Já haviam batido à porta; puxar Amália dali à força agora seria ainda mais inadequado.
O vizinho havia acabado de se mudar, certamente havia gente em casa; se elas saíssem e o morador abrisse a porta depois, pensaria que era uma brincadeira de mau gosto. E, caso não gostasse desse tipo de brincadeira e reclamasse para o condomínio, a situação ficaria ainda mais constrangedora para elas.
“Somos vizinhos, cumprimentar não é o mínimo?” Amália sorriu levemente, já preparada para a situação.
“……”
Amália segurava uma embalagem com um grande pedaço de jaca dentro.
Quando será que sua querida havia colocado aquilo ali?
Muito esperta.

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