— Entrega. — Chamou uma voz do lado de fora.
Estava confusa e desconfiada e atendi o telefone. — Você está no endereço errado. — Disse eu, com a voz ainda rouca dos gritos no Centro de Detenção. — Não pedi nada.
— Foi o Sr. Blackwood que fez o pedido para você. — Respondeu à pessoa da entrega.
Sr. Blackwood? Lucas Blackwood me enviou comida?
Aproximei-me da porta com cautela, abrindo-a apenas o suficiente para ver o entregador segurando uma grande sacola de papel. O aroma delicioso de filé de veado com legumes assados às ervas chegou até mim.
Aceitei a sacola com um agradecimento murmurado e fechei a porta rapidamente. A comida era exatamente do meu gosto. Como ele sabia?
Uma faísca de calor tocou meu coração, surpreendendo-me depois de tanta frieza. Peguei o celular para agradecer a Lucas, mas percebi que não havíamos trocado números.
Ao colocar o celular de volta, notei um bilhete preso à sacola. Na parte inferior, havia um número de telefone escrito à mão com um recado: “Me ligue a qualquer hora se precisar de algo.”
Em vez de ligar, mandei uma mensagem: [Sr. Blackwood, recebi a comida. Obrigada.]
Logo depois, uma resposta simples chegou: [Sim.]
Decidi não o incomodar mais e comecei a comer. Meu corpo agradeceu pelo alimento. O filé de veado estava perfeitamente preparado, macio e cheio de sabor.
No andar de baixo, sem que eu soubesse, Lucas estava sentado no carro. Salvou meu número em seu celular, os olhos ocasionalmente se voltando para minha janela.
(Ponto de vista de Victoria)
A equipe médica passou horas removendo fragmentos de vidro das minhas pernas. Embora os cortes não fossem profundos, cada estilhaço precisou ser retirado com cuidado.
Eu estava deitada na cama do hospital do Abrigo Médico do Bando Crista de parata, coberta por mantas. Meu rosto estava pálido pelo choque. Minhas mãos se cerravam sob os cobertores enquanto eu me lembrava da ligação de Ethan.
Ele mal manteve Olivia detida por algumas horas e já estava ligando para seu assistente, Maxwell Chen, para ir ao Centro de Detenção. A fraqueza dele me enfurecia.
A porta se abriu e imediatamente rearranjei minha expressão para parecer frágil. Ethan entrou, com o olhar cansado, depois de colocar Emma para dormir no quarto ao lado.
— Ethan. — Disse eu, minha voz tremendo com falsa fragilidade. — É só um ferimento pequeno, vou ficar bem. Olivia já está presa há horas. Talvez... talvez devêssemos deixar para lá. Fiquei abalada, agi por impulso ao chamar as autoridades.
A expressão dele suavizou enquanto se aproximava da cama. — Eu cuido disso. — Prometeu. — Apenas descanse.

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