(Ponto de Vista de Ethan)
Permaneci parado na entrada da Feira do Luar, com os olhos atentos aos veículos que chegavam.
No meu bolso, o pingente que comprei para Lily pesava, modesto perto do parque de diversões que criei para ela, mas eu ainda acreditava que, ao menos, o gesto a tocaria.
— Algum sinal delas? — Perguntei a Maxwell, que permanecia fiel ao meu lado.
— Ainda não, Rei Alfa. — Respondeu ele, conferindo o tablet. — Mas a Srta. Winters confirmou que estão a caminho.
Assenti, tentando acalmar o coração que batia descontrolado. “Após meses de separação, finalmente teria a chance de ver minha filha novamente!” Quando encontrei a caneca de cerâmica que ela havia feito, com os desenhos infantis e a inscrição “Eu Amo o Papai!”, algo se partiu dentro de mim, especialmente ao saber a história por trás da sua criação. “Como eu pude ignorar o tamanho do amor da minha filha?”
— Ela vai me perdoar… — Murmurei, como se tentasse me convencer mais do que qualquer outra coisa. — As crianças normalmente têm o dom do perdão...
Maxwell permaneceu em silêncio, com o rosto completamente neutro, enquanto eu olhava para o celular mais uma vez, atualizando a tela, sabendo que ele tocaria assim que Olivia ligasse.
— Rei Alfa, acho que aquele é o carro da Srta. Winters. — Avisou Maxwell, apontando para o veículo familiar que entrava no estacionamento.
No mesmo instante, meu coração deu um salto e, ajustando o paletó, passei a mão pelos cabelos, subitamente preocupado com a aparência. “Será que Lily me reconheceria? Será que ficaria feliz em me ver?”
Quando o carro da Olivia parou junto ao meio-fio, corri para a frente, incapaz de conter a ansiedade, e segurei a maçaneta da porta traseira, chamando com uma ternura incomum:
— Lily...
No entanto, ao abrir a porta, vi o assento infantil vazio, o que me paralisou, encarando o espaço onde minha filha deveria estar.
A confusão se transformou em fúria instantaneamente, e bati a porta com tanta força que o metal gemeu, ficando amassado.
— Onde ela está? — Exigi, virando-me para Olivia assim que ela saiu do carro. — Onde está nossa filha?
Com os olhos verdes tão frios quanto gelo, o rosto de Olivia permaneceu impassível.
— Ethan Stone, sério mesmo que você não consegue lidar nem com isso? Já pensou quantas vezes você decepcionou a Lily nos últimos cinco anos?
Como um golpe físico, as palavras dela me atingiram, fazendo-me dar um passo para trás, momentaneamente atordoado pela acusação.
— Do que você está falando? — Rosnei, lutando para controlar o temperamento. — Construí um parque inteiro para ela! Venho tentando reparar meus erros!
A visão de um pequeno pote cheio de moedas, economizado por uma criança para um pai ausente, fez minha garganta se fechar.
— Ela se esforçava tanto para ser boa… — Disse Olivia, fazendo cada palavra pesar mais em minha consciência. — No fundo, acreditava que, se fosse mais obediente e menos exigente, talvez você se importasse mais com ela… E desejasse mais a sua companhia.
Virei o rosto, incapaz de suportar o peso do olhar dela.
— Chega, Olivia!
— Não! Estou longe de acabar! — Insistiu ela. — Você não queria ver a Lily? Então precisa compreender o que fez com ela!
Olivia se colocou à minha frente, obrigando-me a encará-la.
— Ela guardava os lanchinhos do treino para você. Sabia disso? Os outros filhotes comiam o charque de veado e os biscoitos de Fruta da Lua na hora, mas a Lily não. Ela sempre guardava metade, embrulhava com cuidado num guardanapo e colocava na mochila.
— Para mim? — Perguntei, com a voz quase inaudível.
— Sim… Para você… — Confirmou Olivia. — Ela dizia: “O papai trabalha tanto que deve ficar com fome.” E esperava para te entregar, mas você nunca chegava a tempo de receber.

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