(Ponto de Vista de Olivia)
As palavras da Matriarca Evelyn romperam a represa que eu havia erguido ao redor das minhas emoções, de forma que as lágrimas escorreram pelo meu rosto enquanto desabava contra seu ombro frágil.
— Eu a odeio tanto… — Solucei, sentindo meu corpo tremer de forma incontrolável. — A Victoria tirou tudo de mim. Ela roubou a chance da Lily de viver e agora está tentando amaldiçoar o espírito dela. Como alguém pode ser tão cruel?
Com um toque suave e firme, a mão enrugada da Matriarca Evelyn acariciou meus cabelos, enquanto suas lágrimas caíam silenciosas, evidenciando o acolhimento que me oferecia.
— Minha pobre criança… — Sussurrou, com a voz embargada. — Minha pobre e doce Olivia.
Agarrei-me a ela como alguém que se afogava, encontrando nela o único ponto de apoio. Aquela era a mulher que me protegera quando eu chegara à Matilha Crista de Prata como uma criança assustada, a mesma que se colocara entre mim e aqueles que teriam me expulsado por ser uma órfã sem conexões.
— Eu tentei de tudo… — Confessei entre soluços, engasgando com as próprias palavras. — Implorei para que o Ethan ouvisse, para que entendesse que nossa filha se foi, mas ele se recusa a acreditar. Ele acha que estou escondendo a Lily.
O aperto da Matriarca Evelyn ao meu redor se intensificou.
— Meu neto falhou terrivelmente com vocês duas.
As palavras dela me fizeram chorar ainda mais, porque a validação da minha dor, depois de anos sendo ignorada e manipulada, me pareceu esmagadora.
— Eu quero matá-la! — Admiti, deixando escapar aquela confissão sombria. — Cada vez que vejo o sorriso de Victoria, a lembrança do que fez com a Lily me arrasta para uma raiva cega, e a única coisa que consigo pensar é em destruí-la com minhas próprias mãos!
— Calma… — Acalmou-me a Matriarca Evelyn, embora eu sentisse o corpo dela tremer de raiva também. — Eu entendo o seu ódio, minha filha, mas não posso perder você.
Ela me afastou ligeiramente, tocando meu rosto banhado de lágrimas com as mãos cansadas pela idade, mas seus olhos, mesmo em meio à névoa do tempo, ardiam com uma força indomável.
— Eu não posso trazer nossa Lily de volta. — Disse, recuperando firmeza na voz. — Mas garanto que não deixarei aquela mulher escapar impune pelo que fez!
Nesse instante, uma esperança tênue surgiu no meu peito pela primeira vez em meses.
— Como? O Ethan simplesmente a protege… Ele até colocou seguranças para me manter longe dela.
A expressão da Matriarca endureceu.
— Posso ser velha, mas ainda sou a ex-Luna desta matilha. Então, minha palavra continua tendo peso, especialmente com os anciãos que se lembram de quando eu governava ao lado do meu companheiro.
Ela enxugou minhas lágrimas com os polegares.
— No entanto, há uma coisa que você precisa me prometer, Olivia. Prometa que não fará justiça com as próprias mãos… Deixe-me lidar com a Victoria.
Hesitei, porque a sede de vingança ainda queimava nas minhas veias.
— Prometa-me. — Insistiu ela. — Não posso suportar perder você também.
— Eu prometo. — Murmurei por fim.
A Matriarca Evelyn assentiu, satisfeita.
— Eu vou ficar. — Prometi, acomodando-me na cadeira ao lado da cama.
À medida que a Matriarca Evelyn adormecia, uma calma estranha se apoderou de mim, pois pela primeira vez desde a morte de Lily, eu não estava mais sozinha na luta por justiça. Alguém acreditava em mim… Alguém com poder e influência estava ao meu lado.
E assim… Fiquei observando o movimento do peito da matriarca e senti, aos poucos, que a esperança e a determinação começavam a substituir o desespero que me atormentava há tanto tempo.
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(Ponto de Vista de Ethan)
A recém-construída Feira do Luar se estendia diante de mim, um testemunho da minha determinação de reparar as coisas com minha filha. Brinquedos coloridos se erguiam contra o céu azul límpido, enquanto o cheiro de espetinhos de veado e algodão-doce se espalhava pelo ar.
— Está tudo pronto? — Perguntei a Maxwell Chen, que estava ao meu lado com uma prancheta em mãos.
— Sim, Rei Alfa. — Confirmou ele. — A feira está concluída em todos os detalhes, exatamente como o senhor especificou.
Assenti, sentindo uma mistura de satisfação e culpa, essa última sendo a força motriz por trás daquele projeto. Três meses antes, ao vasculhar a gaveta da Olivia, encontrei uma pilha de desenhos de Lily, escondidos cuidadosamente. Eram simples esboços infantis, nos quais estávamos todos juntos em um parque de diversões. Lily, sorrindo, estava nos meus ombros, enquanto Olivia segurava minha mão.
Porém, quando vi a data, fui tomado por uma dor física: aqueles desenhos haviam sido feitos no dia em que ela me esperava na antiga Feira do Luar, o mesmo dia em que eu falhei em cumprir minha promessa de encontrá-la.
— Ela desejava isso com tanta força… — Murmurei, mais para mim mesmo do que para Maxwell. — Queria subir nos meus ombros, como as outras crianças fazem com seus pais.
No entanto, ele permaneceu em silêncio, sabendo que era melhor não interromper meus pensamentos.

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