Observei meu reflexo no retrovisor, estremecendo ao encarar meu estado. O sangue já havia secado na testa, e um hematoma começava a se formar bem onde Olivia me esmagara contra a lápide.
Enquanto limpava o ferimento com cautela, um olhar venenoso cruzou meu rosto, pois Olivia Winters havia ousado me agredir… “Logo eu, que em breve me tornaria a verdadeira Luna da Matilha Crista de Prata!”
— Você vai pagar por isso! — Murmurei, aplicando o antisséptico com firmeza. — Vai sofrer o mesmo destino da sua preciosa Lily.
Liguei o motor do segundo carro e segui em direção ao Recanto Matarrosa, com os pensamentos já fervilhando de planos de vingança a cada metro que eu avançava.
Ao chegar em casa, encontrei Martha Wilson ainda acordada, apesar do horário avançado. A loba beta levou um susto ao me ver e correu em minha direção.
— Srta. Frost! O que aconteceu com a senhora? — Exclamou, alarmada.
Afastei-a com um gesto impaciente, pois não tinha disposição para lidar com sua aflição.
— Nada sério. Poderia preparar um pouco daquele chá calmante para mim, por favor?
Ela hesitou, querendo perguntar mais, mas os anos de serviço a ensinaram a reconhecer quando era melhor ficar em silêncio. Assim, ela apenas assentiu e se dirigiu à cozinha.
Em seguida, afundei no sofá da sala, sentindo a cabeça latejar com uma dor incômoda, e percebi que o confronto com Olivia me abalara mais do que eu estava disposta a admitir.
Aquela mulher havia mudado completamente. A Luna submissa, que outrora abaixava a cabeça diante da minha presença, desaparecera, dando lugar a alguém perigosa, disposta a me atacar sem hesitar.
A urgência era clara: eu precisava neutralizá-la antes que se tornasse uma ameaça ainda maior. “Mas como fazer isso com eficácia?”
Antes que eu encontrasse uma resposta, o som de passos apressados na escada me interrompeu. Emma surgiu na porta e arregalou os olhos ao me ver.
— Mamãe! — Gritou ela, correndo até mim. — O que aconteceu? Você está sangrando!
Embora não tivesse notado o ferimento se reabrindo, percebi um filete de sangue escorrendo pela minha têmpora, mais dramático do que sério.
E antes que eu pudesse tranquilizá-la, Emma apanhou o celular que Ethan lhe dera para emergências e começou a discar rapidamente.
— Emma, espera... — Tentei intervir, mesmo que fosse tarde demais.
— Papai... Papai... — Soluçou ela ao telefone, com a voz carregada de pânico. — A mamãe está machucada! Está sangrando muito… Ela desmaiou no sofá!
Eu não havia desmaiado, mas o dramatismo natural de Emma, por uma vez, estava jogando a meu favor.
— Papai, a mamãe vai morrer? — Continuou, chorando. — Por favor… Venha logo! Salva ela!
A voz grave de Ethan ressoou do outro lado da linha, mas não consegui distinguir as palavras, enquanto Emma assentia, fungando.
— Ok, vou ficar com ela. Venha rápido, por favor!
Ela desligou e se virou para mim, com o rosto ainda banhado por lágrimas.
— O papai está vindo, mamãe. Ele disse que vai trazer um médico também.
Contive um sorriso, porque a atitude precipitada de Emma havia me entregue a chance perfeita.
Em seguida, ela se aproximou, visivelmente em pânico.
— Mamãe, não morre, por favor... Eu já chamei o papai, ele está vindo...
Franzi a testa, incomodada de verdade com a impulsividade dela.
— Emma, você não devia ter ligado sem me perguntar antes.
A expressão de Ethan se fechou ainda mais, e seus olhos brilharam com indignação.
— Alguém fez isso com você? Quem foi?
Virei o rosto, como se quisesse evitar a pergunta.
— Eu não quero causar problemas...
— Victoria. — Insistiu ele, com firmeza. — Me diga quem te machucou.
Balancei a cabeça, mantendo a fragilidade no olhar.
— Ninguém me atacou, Ethan. Eu... Eu só escorreguei e caí.
Dr. Bennett soltou um ruído descrente, mas continuou cuidando da ferida sem comentar.
— Victoria. — Disse Ethan novamente, agora mais gentil. — Pode confiar em mim. Me diga a verdade.
Entretanto, segurei sua mão e a apertei levemente.
— Por favor, Ethan. Eu só preciso descansar. Você poderia me ajudar a subir para o quarto?
A mandíbula dele se contraiu, mas, em silêncio, ele me ergueu nos braços. Enquanto subíamos, notei a sombra de dúvida em seu olhar.
— A Olivia te ameaçou no Bosque de Ipês… — Murmurou, num tom baixo para que Emma não ouvisse. — Foi ela quem fez isso?
Deixei o silêncio falar por mim, sem emitir uma palavra, e, à medida que subíamos, o rosto de Ethan se tornou mais tenso, enquanto sua suspeita sobre Olivia se intensificava, inevitavelmente.

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