Ethan assentiu mecanicamente.
— Sim, claro.
Nesse momento, ele verificou o aparelho Alfa, franzindo levemente a testa.
— Preciso fazer uma ligação. Com licença.
Meus olhos o acompanharam até o terraço, enquanto os instintos da minha loba permaneciam em alerta, já que havia algo evidente o perturbando.
— Mamãe, quando vou ser oficialmente uma Stone? — Perguntou Emma, quebrando minha concentração.
Abracei-a, beijando-lhe a testa.
— Só aguente mais alguns dias, querida. Logo vai acontecer.
Do terraço, avistei Ethan falar ao telefone enquanto caminhava de um lado a outro, e percebi a tensão em seus ombros e a mão livre cerrada em punho.
— O que há de errado com o papai? — Emma sussurrou, acompanhando meu olhar.
Forçei um sorriso.
— Nada, meu bem. Ele só está ocupado com os assuntos da matilha.
Mas minha loba sabia a verdade. Ethan ainda era assombrado pelas dúvidas sobre Lily, e eu precisava distraí-lo, mantendo-o focado no nosso futuro.
Ao voltar, ele trouxe no semblante uma expressão carregada.
— Preciso ir. — Disse de repente.
— Mas devíamos discutir os detalhes da cerimônia… — Protestei, segurando-lhe o braço.
Ele se desvencilhou.
— Amanhã. Vou ligar para você amanhã.
Assisti à partida dele, e meu triunfo, de repente, adquiriu um gosto amargo, porque eu senti que ele estava indo atrás dela outra vez.
-
(Ponto de Vista de Ethan)
Abalado pelo relatório de Maxwell, que me afetara além do que eu queria reconhecer, segui dirigindo até o Bosque de Ipês com meu lobo inquieto.
E ao entrar no apartamento de Olivia graças à minha autoridade de Alfa, o cheiro dela tomou conta do ambiente: flores-da-lua e luto, mistura pungente que fez meu lobo choramingar.
Segui o rastro até o quarto, onde encontrei o Retrato Memorial de Lily sobre a mesa de cabeceira. A fotografia mostrava uma menina frágil, de olhar cansado, com meus olhos e o sorriso de Olivia.
(Ponto de Vista de Olivia)
Diante do espelho, na manhã da cerimônia, examinei minha aparência com atenção rigorosa.
O branco do vestido e do casaco transmitia tanto o luto quanto a pureza, símbolos claros dentro da tradição lupina, que os anciãos não teriam dificuldade em compreender.
Sobre os ombros, caíam em ondas macias meus cabelos castanhos, e meus olhos esmeralda brilhavam limpos e resolutos, livres da sombra do pranto.
Na minha bolsa de grife cravejada de cristais, guardei com cuidado a certidão de óbito de Lily junto dos resultados do teste de paternidade de Emma, consciente de que tais papéis alterariam o rumo de tudo.
E minha loba, em vez de agitada, mostrava-se serena, pois o luto já havia sido vencido e agora só restava determinação. Havíamos suportado dores demais, testemunhado Victoria usurpar o que deveria ter sido nosso, e ainda sofremos ao ver Ethan voltar-se para a filha de outro homem, enquanto relegava a nossa.
— Lily… — Murmurei para o retrato da minha filha. — Hoje a justiça será feita!
Acariciei o Memorial com um toque breve e, ao me afastar, senti o celular vibrar. A mensagem de Lucas surgiu na tela: "Você tem certeza disso?"
Respondi sem demora: "Nunca estive tão certa quanto estou neste instante."
Depois de encher os pulmões de ar, segurei as chaves e atravessei a porta, ao mesmo tempo em que minha loba avançava convicta, já que não havia medo algum da confrontação iminente.
Afinal, o tempo de silêncio e de sombras havia terminado e naquele dia eu pisaria na luz para revelar a verdade, por mais alto que fosse o preço.
Assim, de cabeça erguida e com a força da minha loba fluindo em minhas veias, dirigi até a Casa da Matilha Crista de Prata, pronta para confrontar o Rei Alfa com a verdade que destruiria o mundo cuidadosamente construído dele.

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