— Quer comer fora ou comer em casa?
— Murilo!
Sendo interrompida de propósito pelo homem repetidas vezes, Oceana também se irritou um pouco.
— Você pode me ouvir terminar de falar?
— Não.
O tom de Murilo era levemente frio, e o olhar atrás das lentes de armação dourada era tão frio quanto um floco de neve.
— Não precisa dizer mais nada.
Em três anos de casamento, Murilo nunca havia falado com ela com um tom tão impaciente. Oceana engasgou, sentindo apenas que seu coração parecia uma esponja encharcada de água, doendo e pesando‑lhe no peito.
Ele usou a desculpa de uma viagem de trabalho para passar meio mês no exterior ao lado de Aimée. De madrugada ainda correu até a embaixada para consertar a confusão que ela causou. E Oceana nem sequer brigou com ele por isso.
Mas agora, ele não queria dar nem a chance de uma explicação.
Claro, no coração dele só existia Aimée.
Desde que ela, essa esposa de nome, não o envergonhasse, ele não faria mais nenhuma pergunta.
Ele tinha razão, não havia necessidade de dizer nada.
Porque ele simplesmente não se importava, e quanto mais ela explicasse, mais pareceria uma palhaça iludida.
Pensando nisso, Oceana ergueu os cantos dos lábios zombando de si mesma, virou a cabeça para encarar a paisagem urbana em movimento pela janela, e não disse mais nada.
Quando chegaram em casa, já estava quase escurecendo. Murilo saiu do carro por conta própria, deu alguns passos à frente e, ao perceber que Oceana não havia descido, parou e se virou, olhando para ela com um olhar muito leve.
Oceana, você é muito engraçada, que posição você tem para ficar de mal com o Murilo?
Ela riu de si mesma em seu coração. No momento em que abriu a porta, o vento noturno a fez estremecer, e assim que caminhou até o lado de Murilo, o celular do homem tocou de repente.
Na tela, a palavra "Aimée" era extremamente ofuscante.
Murilo franziu a testa, deu alguns passos para o lado e atendeu a ligação de costas para Oceana.
Oceana não conseguia ver o rosto de Murilo, apenas o ouviu falar em tom de consolo, com uma voz não se sabe quantas vezes mais gentil do que quando estavam no carro agora há pouco.
— Não se preocupe.
— Sim, eu sei.

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