O ar ficou em silêncio de repente.
Maurício Montenegro olhou para ela e o seu olhar foi esfriando aos poucos: — Lia, não pense que só porque te dei essa festa de aniversário, você tem o direito de fazer drama.-
Lia abaixou os olhos e respondeu em uma voz tão suave que era quase inaudível: — Considere isso como o meu pedido de aniversário. Divorcie-se de mim.
Uma irritação inexplicável tomou conta do peito de Maurício Montenegro, e ele disse friamente: — Acho que você se esqueceu de como deu duro para correr atrás de mim e de como foi tão insistente em se casar comigo...
— Cabrum!
Um estrondo de trovão ressoou, e as luzes do camarim se apagaram de repente.
Lia tomou um susto. Antes que pudesse reagir, Maurício se aproximou e agarrou o seu queixo: — Você realmente acha que, com a festa de aniversário desta noite, já tem o direito de se fazer de difícil para mim?
Quando um relâmpago cortou o céu, os traços rígidos de Maurício ficaram ainda mais claros na escuridão.
O desprezo e o deboche em seus olhos também brilhavam como lâminas afiadas.
Lia sentiu dor e tentou se debater instintivamente. — Não estou me fazendo de difícil. Falo sério.
— Sério?
Maurício Montenegro mastigou aquela palavra entre os dentes, e uma risada fria escapou de sua garganta.
Como isso seria possível?
Em toda a cidade de Alvorada, quem não sabia que Lia era perdidamente apaixonada por ele, a ponto de perder o amor-próprio? Desde que se conheceram até o casamento, ela corria atrás dele como uma louca, como se não tivesse qualquer dignidade.
E agora que ele, por um milagre, havia decidido lhe dar uma festa de aniversário, proporcionando-lhe a decência que a Senhora Montenegro merecia, ela de repente dizia que queria o divórcio?
Os truques de Lia estavam cada vez mais patéticos.
Enquanto os dois se encaravam, um grito agudo os interrompeu de repente.
— Oh, não, está pegando fogo! Apaguem o fogo!
Junto ao grito, passos caóticos ecoaram no corredor. O coração de Lia entrou em pânico, e ela agarrou o braço de Maurício por instinto.
Todos aqueles anos de afeto não valiam sequer uma fração de segundo da atenção dele.
Lia piscou, segurando com força as lágrimas que ameaçavam cair. Apoiando-se na parede, ela correu de forma cambaleante em direção à saída. Ela não podia morrer ali, nem queria morrer ali...
Ela se arrastou em direção à saída e, logo ao chegar à porta, viu que ela estava se fechando lentamente.
— Não fechem a porta, ainda tem gente aqui!
Ao ver aquilo, Lia gritou em desespero e se atirou para a frente.
Mas a grande porta se fechou com um baque pesado. Lia se jogou sobre ela, batendo com todas as forças: — Abram a porta! Eu ainda estou aqui dentro! Abram, rápido! Tem alguém aí fora?!
No entanto, não houve resposta alguma vinda do lado de fora.
Sem ousar parar por um segundo sequer, Lia correu freneticamente à procura da próxima saída.
No entanto, porta após porta, todas já estavam fechadas ou trancadas no último instante. Um terror profundo tomou conta do coração de Lia. Por que isso estava acontecendo? Será que alguém... a queria morta?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O Preço do Desprezo: A Nova Vida de Lia