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O Pecado do Mafioso romance Capítulo 11

Giulia:

Crescer em Nova Orleans como filha de uma jovem garçonete, com propensão a ter vários namorados e a alienação parental, significava que as probabilidades nunca estiveram ao meu favor. Minha mãe, Rosa, era uma força da natureza, uma mulher intensa em tudo o que fazia. Ela amava como se fosse queimar, chorava como se cada lágrima fosse arrancada do fundo de sua alma, e ria com a mesma intensidade de quem acredita em finais felizes — mesmo que a vida continuasse a lhe mostrar o contrário.

Ela teve que me criar sozinha, contra a maré, contra a opinião dos outros e contra os homens que cruzaram seu caminho, incluindo meu pai, a quem amou e odiou com igual fervor. Ele era uma sombra em nossas vidas, uma ausência que ecoava mais alta do que qualquer presença. E ainda assim, minha mãe se segurava à ideia de que um dia encontraria alguém que não a abandonaria, alguém que a completaria, que seria o pai que eu nunca tive.

Rosa sonhava com um lar cheio, com a família que parecia sempre fugir dela, como uma miragem que desaparece à medida que nos aproximamos. Em busca desse sonho, deixou entrar em sua vida todos os tipos errados de homens, todos os tipos perigosos. Amou de novo, e de novo teve o coração partido. Foi nessa dança de paixões e despedidas que aprendi a importância de ser invisível.

Percebi que a invisibilidade era minha salvação. Se eu desaparecesse, me tornava intocável. Se me escondesse, ninguém poderia ver minha fragilidade ou expor minha dor. Tornar-me invisível era a armadura que me permitia existir naquele caos, passar despercebida no meio de gritos, risos e lágrimas que ecoavam pela casa. Invisível, eu sobrevivia. Mas a invisibilidade também trazia a solidão, e eu, ainda menina, compreendi que minha salvação nunca viria de fora.

Teria que ser a heroína da minha própria história.

Apesar de tudo, não consigo negar que minha mãe era uma guerreira. Rosa, mãe aos dezessete anos, abandonou a escola e se enfiou em dois empregos para nos sustentar. Ela era uma força bruta em forma de mulher, suando noites a fio como garçonete para garantir que eu tivesse uma chance. Ser garçonete nunca foi seu sonho, mas eram as gorjetas que bancavam meus estudos. Quando completei oito anos, Rosa conseguiu um emprego no Bourbon, um dos clubes mais badalados da cidade. O salário era maior, as gorjetas mais gordas, e ela aceitava todo turno extra que lhe ofereciam. Dizia estar juntando para minha faculdade, que aquele lugar era uma mina de ouro. E foi por essa época que os Lefèvre entraram em nossas vidas.

O Sr. e a Sra. Lefèvre, nossos vizinhos, eram o oposto do caos que minha mãe trazia. Eles eram gentis, sólidos como a própria terra, e abriram suas portas para mim com um carinho que me desarmava. A Sra. Lefèvre me ensinou a cozinhar, a me portar, e, quando o tempo chegou, até mesmo sobre o que significava tornar- se mulher. O Sr. Lefèvre me deu uma das lições mais profundas da minha vida: a arte de consertar o que parecia perdido.

Ele consertava tudo, desde relógios quebrados até a torradeira que mal funcionava, e, com ele, aprendi a abrir qualquer coisa — desmembrar cada parafuso, analisar cada peça e remontar o que havia sido fragmentado. Ele acreditava que, se algo fora construído, podia ser consertado. “Nada é irreparável”, dizia. “É só questão de paciência.”

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