Nicole repentinamente abriu os olhos.
Através de sua visão turva, ela podia observar o rosto impecável do homem, sem qualquer imperfeição, com um olhar que transmitia o frio de eras distantes e uma inalcançável distância.
Não poderia ser outro senão Davi!
Davi ajustou as cobertas, abrindo um pouco a gola do uniforme hospitalar de Nicole, revelando as ataduras brancas que cobriam seus ombros pálidos.
Nicole ficou surpresa, permanecendo imóvel.
Não havia sangue nas ataduras, a ferida não havia se reaberto, e o olhar tenso de Davi finalmente relaxou, transbordando ternura:
— Está doendo?
Eles estavam muito próximos, e o hálito dele tocava a pele delicada dela, causando um arrepio.
Nicole se sentiu inexplicavelmente machucada, mordendo o lábio e acenando com a cabeça:
— Um pouco.
Davi sentiu ainda mais dor por ela.
A pessoa que deveria ter levado o tiro era ele, não ela, que não merecia suportar essa dor.
— Quando você chegou, por que não me chamou... Você não entrou pela janela, entrou?
Nicole começou a falar, mas foi interrompida quando a cortina ao lado da janela foi levantada pelo vento, e ela olhou inadvertidamente para aquela direção, surpresa ao ver a porta do terraço aberta.
Ela lembrava que a porta deslizante sempre estava fechada.
O andar do hospital onde ela estava era muito alto, ele teria escalado o terraço para entrar, sem medo de se machucar?
— Sim, seu irmão colocou pessoas lá fora para não me deixar entrar. — Davi a olhava intensamente.
Então ele teve que escalar o muro.
Nicole hesitou, falando baixinho:
— Eu não sabia que ele tinha colocado pessoas lá fora, eu... Ah!

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