De repente, várias pessoas entraram pela porta.
Davi estava à frente, acompanhado por Felipe e alguns médicos que carregavam caixas de medicamentos, todos se movendo rapidamente.
Ao entrar, Davi lançou um olhar intenso para ela, sem proferir palavra alguma, e se dirigiu diretamente ao sofá da sala de estar.
Felipe, seguindo ele, ordenou a Bianca:
— Traga um conjunto de roupas limpas para o Presidente Davi!
Davi se sentou no sofá, despiu o paletó e logo se tornou visível que a manga de sua camisa estava saturada de sangue.
Os médicos, então, cortaram a manga com tesouras, expondo um corte profundo e extenso no braço.
Ele estava ferido!
— Deus nos livre, por pouco não atingiu a artéria! — Exclamou um dos médicos, que prontamente iniciou o tratamento do ferimento.
Ao lado, Nicole observava a cena, visivelmente chocada. Felipe, ao notar sua presença e sua aparência abatida, exclamou:
— Srta. Nicole, você...
— O que aconteceu com ele? — Perguntou Nicole suavemente, fixando o olhar no ferimento de Davi.
Felipe, franzindo a testa pela palidez dela, respondeu:
— Alguém atacou o Presidente Davi, e durante o conflito, ele acabou ferindo o braço acidentalmente.
Nicole se manteve em silêncio.
Após a sutura do ferimento e as orientações dos médicos, que deixaram alguns medicamentos e instruções para Nicole, eles partiram.
Felipe, após uma breve ligação, se aproximou com uma expressão grave:
— Presidente Davi, confirmamos que foi Simão o mandante do ataque, mas ele fugiu assim que nossos homens tentaram pegá-lo. Continuarei na sua busca.
— Encontre-o e dispense os detalhes. Cuide disso. — Instruiu Davi, com voz desprovida de emoção, porém carregada de uma intenção mortal.
— Entendido. — Felipe fez uma pausa, observando o ambiente. — Com licença, Presidente Davi.
— Está bem. — Davi fechou os olhos, recostou a cabeça no encosto do sofá e murmurou algo enquanto seu pomo de adão se movia.
Felipe deu um último olhar em direção a Nicole e sussurrou silenciosamente:
— Cuide bem dele.
Logo após, ele também se retirou.
Davi, recostado no sofá, exibia um rosto pálido e distante, sinais de exaustão evidentes. Seu braço, parcialmente exposto pela manga rasgada, estava enfaixado e ainda mostrava vestígios de sangue seco.
A aura fria e distante de Davi agora era permeada por um brutal toque de sangue e violência.
— Sr. Davi...
Bianca, segurando as roupas limpas, descia as escadas. Antes que pudesse completar sua fala, Nicole se virou em sua direção e sinalizou para que se calasse, apontando para as roupas como um sinal para que as entregasse.
Bianca lançou um olhar a Davi, que parecia adormecido, e silenciosamente passou as roupas para as mãos de Nicole antes de se afastar.
Nicole se aproximou do sofá com passos suaves, colocou as roupas ao lado e começou a limpar delicadamente o braço ainda manchado de sangue de Davi com um lenço umedecido desinfetante.
Davi, com os olhos ainda fechados, sentiu subitamente a sensação gelada no braço e abriu os olhos, encontrando o olhar da mulher à sua frente. Um breve lampejo de surpresa atravessou o fundo de seus olhos.
Ela, com a cabeça baixa, se concentrava em limpar o sangue dele, seu rosto pálido focado na tarefa enquanto alguns fios de cabelo negro caíam suavemente sobre seu rosto.
À medida que ela prosseguia, as manchas de sangue iam desaparecendo de seu braço.
O olhar intenso do homem era difícil de ignorar.
Nicole percebeu e levantou ligeiramente os olhos, encontrando o olhar sombrio dele e fazendo uma pausa por um momento antes de perguntar:
— Desculpe, eu te acordei?

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