Na memória dela, Lucas nunca batia na porta.
Sempre que precisava falar com ela, entrava direto.
Ele tinha mudado?
Ou… não era ele?
Enquanto pensava nisso, Estela ainda respondeu:
— Pode entrar.
Assim que terminou de falar, viu Evandro empurrar a porta e entrar.
Ele segurava um copo, ainda soltando vapor:
— Bebe um pouco. Vai se sentir melhor.
Estela ficou um instante parada.
Quando entendeu, acabou travando por um segundo.
De fato, na lembrança dela, Evandro sempre foi alguém extremamente paciente.
O que tinha acontecido na noite anterior, se fosse com ele, não pareceria estranho.
Será que ela tinha confundido Evandro com Lucas?
Então… a noite passada…
O pensamento caiu como um raio.
Ela não conseguiu se segurar e perguntou:
— Você ficou aqui a noite inteira?
Evandro percebeu o que ela estava pensando e assentiu:
— Foi uma situação de emergência.
Na noite anterior, depois de comparecer à noite beneficente a convite, ele saiu e não conseguiu encontrá-la.
Quando estava prestes a ligar para a polícia, alguém da família Silveira disse que talvez Estela já tivesse voltado para casa.
Naquele momento, as pessoas da família falavam desviando o olhar.
Ele achou que estavam mentindo e ficou em dúvida.
Não imaginava que fosse verdade.
A fechadura daquele apartamento tinha o registro da digital dele, então entrou sem dificuldade.
Ela tinha passado muito mal a noite toda.
Na segunda metade da madrugada, vomitou várias vezes.
Sem alternativa, ele só pôde ficar.
Ao notar a expressão dela estranha, Evandro achou que ela ainda estivesse desconfortável e disse com calma:
— Se o estômago ainda estiver ruim, não segura. Bota tudo pra fora que melhora.
Estela assentiu, distraída.
O estômago ainda incomodava, mas a cabeça estava ainda mais confusa.
No escritório, Tiago não fez questão alguma de poupá-la.
Olhou para ela friamente:
— Sra. Estela, você ainda lembra o que disse antes de entrar na empresa, não lembra? Você afirmou que conseguiria um investimento para substituir o da Farias. Onde está esse investimento?
Antes que Estela pudesse responder, alguém interveio:
— Tiago, essa ainda é só a primeira semana da Estela na empresa. Dá um pouco mais de tempo pra ela.
Tiago soltou um riso frio:
— Eu até posso dar tempo. Mas o projeto de pesquisa pode esperar?
— Logo cedo, todos os pequenos investidores da UME começaram a pedir retirada. Se continuar assim, não vai sobrar nem projeto. Todo mundo vai acabar passando necessidade.
— Você vai assumir essa responsabilidade?
Ao ouvir isso, quem tinha falado antes fechou a boca.
Estela ainda lançou a ela um olhar de agradecimento.
Estava prestes a explicar algo a Tiago quando a colega ao lado, Paula Rocha, se levantou:
— Tiago, eu entendo o que o senhor quer dizer, mas ficar pressionando assim não resolve. Do jeito que está, só vai deixar a Sra. Estela ainda pior.
Tiago ironizou:
— Agora vocês falam em sofrimento. Na hora de recusar o investimento da Farias, eu não vi ela sofrendo nada.
— Mas naquela época ela não sabia que as consequências seriam essas. — Paula rebateu. — Talvez a Sra. Estela já esteja arrependida agora. O senhor podia, pelo menos, dar mais um dia pra ela.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O Dia em que Ele Aprende a Te Perder
Que estranho, findaram o romance sem concluir o enredo, na verdade, simplesmente não deram continuidade, deixando várias situações sem desfecho...
N chega ao fim estes romances? Acaba se tornando maçante....