Era impossível para Estela não notar os movimentos de Lucas e Jéssica no palco.
Mas ela não deu atenção. Continuou circulando pela multidão, distribuindo os cartões de visita que tinha na mão, apresentando os pontos fortes dos robôs inteligentes da UME e estimando os lucros de uma futura cooperação.
Alguns, mesmo a desprezando por dentro, fingiam interesse, pegavam o cartão e, ao se virar, o entregavam casualmente ao secretário ao lado.
Outros nem se davam ao trabalho de fingir. Rasgavam o cartão na frente dela e jogavam no lixo.
Havia ainda aqueles que, ao vê-la cumprimentar, fingiam não perceber e se afastavam de propósito.
Estela sabia que faziam isso para demonstrar lealdade à Farias.
Mesmo que a UME já tivesse certa fama, a posição da Farias em Cidade N ainda era inabalável.
Na situação atual, ainda que a tecnologia e a repercussão da UME superassem as da Farias, ninguém ousaria se colocar contra ela.
Mas o simples fato de aceitarem seu cartão já era o primeiro passo do seu objetivo.
Quando a UME tivesse voz em Cidade N, eles reavaliariam.
Depois de confirmar que tinha abordado todos, Estela guardou os cartões.
Sua garganta estava seca de tanto falar.
Ela estava prestes a pedir um copo d’água a um garçom quando alguém a empurrou com força pelas costas.
Estela quase caiu. Ao se virar, viu Joana olhando para ela com expressão de deboche.
Estela já tinha visto a família Silveira ali antes, mas não quis causar problemas, então não cumprimentou.
Não esperava que Joana viesse procurá-la.
Joana soltou um riso frio.
— Se eu fosse você, hoje nem teria vindo aqui passar vergonha. Afinal, ver o próprio marido todo carinhoso com outra mulher deve doer, né?
Enquanto falava, indicou com o olhar as duas figuras no palco.
Estela sorriu.
— Se eu fosse você, não diria algo para se humilhar assim. Afinal, independentemente de o meu marido estar ou não com outra mulher, pelo menos eu já tive. Diferente de certas pessoas que, por não conseguir, ficam aqui cheias de inveja.
— Você...
O rosto de Joana ficou vermelho de raiva.
Mas logo ela conteve o temperamento.
Não tinha vindo ali para brigar com Estela.
Além disso, nos últimos tempos Estela parecia ter sido provocada por algo. Estava como uma louca, atacando sem parar. Comparada a antes, estava completamente diferente.
Joana não conseguia lidar com ela.
Mas sempre haveria alguém que conseguiria.
— O pai está te chamando. Quer que você vá lá.
Joana levantou o queixo na direção de trás.
Estela olhou para onde ela indicava e viu Simão não muito longe, brindando com alguém.
— O que foi? — Perguntou Estela.
Joana não respondeu.
— Como eu vou saber? Se quer saber, vai perguntar. Mas ouvi dizer que tem a ver com a sua mãe.
Ao ouvir mãe, o rosto de Estela ficou sério.
Ela não hesitou e caminhou até Simão.
Ela soltou um riso de desprezo.
— Não precisa. Eu já tenho um novo namorado.
Simão ficou sem entender.
— Evandro? — Antes que ela terminasse, Simão franziu a testa. — Evandro não serve. Joana gosta dele. Da última vez, a oportunidade de se casar com a família Farias foi Joana quem cedeu a você. Desta vez você não pode disputar com ela.
Estela riu.
— E se eu fizer questão de disputar?
Simão disse:
— A Silveira foi construída pela sua mãe com as próprias mãos. Ao longo dos anos eu não mudei o nome justamente para que você se lembrasse dela.
— Se você insistir, amanhã mesmo eu mudo o nome da Silveira para o da Paulina e da Joana.
— Faça como quiser. — Estela o olhou com tranquilidade. — Desde que a mãe morreu, a Silveira já virou algo que você controla.
— Você demitiu os veteranos que te acompanharam por anos, deu ouvidos às fofocas de quem está ao seu redor e deixou tudo uma bagunça. Eu já me preparei para o dia em que a família vai falir. É só um nome, qual é a importância?
— Da próxima vez que for me ameaçar, é melhor usar a cabeça. Não fique tanto tempo cercado de gente burra a ponto de virar burro também.
— Você...
O rosto de Simão ficou vermelho de raiva.
— A Sra. Aurora chegou.
Alguém anunciou naquele momento.
A música parou na hora certa, e as luzes foram ficando mais claras.
Na entrada, Aurora, de cabelos brancos, estava vestida de vermelho. Amparada por Fábio e Célia, entrou no salão do banquete com um sorriso tranquilo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O Dia em que Ele Aprende a Te Perder
Que estranho, findaram o romance sem concluir o enredo, na verdade, simplesmente não deram continuidade, deixando várias situações sem desfecho...
N chega ao fim estes romances? Acaba se tornando maçante....