Estela pegou o celular ainda meio tonta, olhou a hora, já eram quatro da madrugada.
Lara quase nunca ligava nesse horário.
Com medo de ser algo urgente, ela atendeu.
Assim que a chamada conectou, a voz fraca e chorosa de Lara veio do outro lado:
— Estela, o que eu faço? O que eu faço?
Estela percebeu que havia algo errado e o sono sumiu.
— O que aconteceu com você? — Ela perguntou.
— Eu... — Lara hesitou. — Eu não sei. Meu corpo está muito quente. Está muito ruim. Eu quero...
Ela mordeu o lábio com força. O pouco de lucidez e vergonha que ainda restava a impedia de dizer o resto.
Ao ouvir aquelas palavras soltas, Estela a princípio também ficou sem entender.
Mas quando escutou a respiração ofegante de Lara, como se estivesse se esforçando para aguentar, ela finalmente percebeu.
Não fazia muito tempo que ela mesma tinha sido drogada. Os sintomas tinham sido parecidos.
Lara foi drogada?
O pensamento surgiu, mas Estela o descartou imediatamente.
Não.
Lara era a filha preciosa da família Farias. Célia e os outros a protegiam demais. Ninguém teria coragem de fazer algo assim.
Estela não entendia o que estava acontecendo exatamente, mas sabia que era urgente.
Ela estava prestes a se levantar, quando algo lhe ocorreu. Com a voz neutra, disse:
— Você não me odeia? Liga para a sua Jéssica.
Antes, Lara já tinha feito uma brincadeira parecida para enganá-la. Quando Estela correu preocupada até lá, Lara a ridicularizou na frente das amigas por ser obediente e ir sempre que era chamada.
Ela desconfiava que aquilo pudesse ser mais uma provocação.
Lara chorou ainda mais. Talvez por chorar havia tempo demais, a voz já estava rouca.
— Eu ligo para a Jéssica e ninguém atende.
Ela também tinha pensado em contar para Célia e Fábio.
Mas uma coisa dessas... ela não conseguia dizer.
Depois de pensar muito, criou coragem e ligou para Estela.
Estela explicou a situação por alto e omitiu a identidade de Lara.
Depois de dois segundos de silêncio, ele disse:
— Tenho um amigo que deve ter o antídoto. Daqui a pouco eu levo para você.
Estela finalmente respirou aliviada.
— Tá bom.
Evandro foi rápido. Em menos de dez minutos, chegou.
Estela pegou o medicamento, agradeceu e entrou no carro.
Lara estava no banco de trás. Quando Estela entrou, percebeu que os braços e as pernas dela estavam cheios de marcas vermelhas de tanto se arranhar. A capa de couro do banco, recém-trocada, também estava rasgada.
Ela pressionou os lábios.
Pegou a seringa que Evandro trouxe e aplicou o remédio devagar no corpo de Lara.
Alguns minutos depois, Lara finalmente se acalmou.
Estela enxugou o suor dela. Depois de confirmar que estava estável, deu partida no carro e a levou ao hospital.
Mesmo com o efeito neutralizado, Lara tinha resistido por muito tempo. Estela não sabia se haveria algum efeito colateral. Além disso, ela estava machucada de tanto se arranhar e precisava fazer curativos.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O Dia em que Ele Aprende a Te Perder
Que estranho, findaram o romance sem concluir o enredo, na verdade, simplesmente não deram continuidade, deixando várias situações sem desfecho...
N chega ao fim estes romances? Acaba se tornando maçante....