— Ela passou cinco anos como dona de casa. Mal entrou na UME e o Sr. Evandro já deu a ela o cargo de supervisora. A gente está aqui há anos e nunca teve esse tipo de privilégio.
Estela caminhou até lá e viu que quem falava era Paula, sentada ao lado da sua mesa.
Paula estava de costas para a porta e não a viu.
Continuou:
— Isso nem é o principal. Dessa vez foi só sorte dela conseguir o investimento. E o Sr. Evandro já quer fazer uma festa de comemoração como se fosse algo grandioso. Mas não esqueçam que esse investimento já tinha sido decidido pela família Farias desde o começo. O que ela fez foi só tentar consertar o próprio erro.
Ao lado de Paula estavam mais duas mulheres.
Depois de ouvir tudo, uma delas assentiu com força, concordando.
Em seguida, suspirou e disse com um tom ácido:
— Fazer o quê? Ela é bonita. Consegue encantar o Sr. Evandro. É normal ele dar tratamento especial.
— Bonita? Eu acho bem comum. — Paula riu, cobrindo a boca.
A outra percebeu o que ela queria ouvir e completou:
— Verdade. Nem chega aos seus pés.
— É mesmo? — Paula tocou o próprio rosto, meio envergonhada.
Logo depois, viu a colega segurando o riso e percebeu que tinha algo errado. Fingiu irritação e empurrou a outra de leve.
— Está tirando com a minha cara?
As duas começaram a rir e a brincar.
A terceira, que até então estava em silêncio, disse:
— Mas tem uma coisa que eu não entendo. Ouvi dizer que a Farias ficou furiosa porque a UME recusou o investimento e já começou a pressionar. Numa situação dessas, como ela conseguiu outro investimento?
Paula não deu importância:
— Quem investiu foi o filho da família Lacerda, Rafael. Um playboy daqueles... Você acha que Estela conseguiu como? Com o corpo, claro...
Ela ainda não tinha terminado quando as duas ao lado mudaram a expressão e começaram a piscar para ela.
Paula não entendeu e continuou:
— Estou falando sério. Aquele dia eu vi um homem levar ela para um hotel. Eu garanto para vocês, ela não é tão inocente quanto parece. Ela com certeza...
Gesticulando enquanto falava, Paula então viu Estela parada ali, preparando café.
A primeira promessa de investimento que tinha feito a Tiago já tinha sido cumprida. Agora vinha a segunda, e a mais importante, desenvolver uma nova tecnologia.
Depois de voltar para a UME, ela já tinha analisado o mercado. Os algoritmos de robôs eram muito parecidos entre si, as funções quase iguais, e a precisão não variava tanto.
O maior problema ainda era a percepção.
No tato e na visão, comparado à sensibilidade do olho humano, os robôs estavam muito atrás.
Por isso, muitos trabalhos ainda eram impossíveis para eles.
Esse sempre tinha sido o ponto que ela vinha pensando. Se conseguisse resolver isso, não seria só um avanço para a UME, mas para o futuro deles.
Nos dias seguintes, Estela concentrou toda a atenção em como integrar a percepção humana aos robôs.
À noite, participou da festa de comemoração organizada pela empresa. Para evitar comentários, voltou para o apartamento alugado separada de Evandro, cada um em um horário.
Quando estava prestes a entrar no condomínio, viu Lara parada na entrada.
Lara olhava para os lados, inquieta, como se não quisesse ser vista.
Estela estranhou. Aproximou o carro, parou diante dela e abaixou o vidro.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O Dia em que Ele Aprende a Te Perder
Que estranho, findaram o romance sem concluir o enredo, na verdade, simplesmente não deram continuidade, deixando várias situações sem desfecho...
N chega ao fim estes romances? Acaba se tornando maçante....