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O Despertar da Rainha Militar Divorciada romance Capítulo 330

Quando Quinn saiu do banheiro, com o cabelo ainda úmido roçando os ombros, encontrou Julius sentado à beira da cama, cabeça baixa, o olhar perdido no bracelete que envolvia seu pulso.

Era o mesmo que ela havia escolhido para ele.

Algo sem nome subiu pelo peito de Quinn, uma emoção densa, súbita, impossível de traduzir em palavras. Quando escolheu aquele presente de aniversário, jamais imaginou que ele se tornaria o marco silencioso da despedida deles.

O colchão rangeu e, como se seus passos leves anunciassem a chegada, Julius ergueu a cabeça. A luz da lua realçava as sombras sob seus olhos, denunciando noites em claro. “Vamos dormir?”, perguntou, a voz rouca de tanto cansaço acumulado.

Quinn respirou fundo, obrigando o corpo a se manter firme. “Tudo bem, vamos tentar dormir”, murmurou. “Me diz o que te ajuda a pegar no sono. Quer que a gente dê as mãos?”

Os cílios dele tremeram, e um leve alívio suavizou a tensão em sua expressão. “Então... Vamos só dar as mãos”, sussurrou Julius.

“Tá bem”, respondeu ela, num tom de promessa suave. Puxou o cobertor e se deitou primeiro; o colchão cedeu sob o peso leve do corpo.

Julius a observou por um instante, com um olhar tão intenso que parecia uma confissão muda. Depois, se deitou ao lado dela e procurou sua mão, entrelaçando os dedos com cuidado.

Dessa vez, ela não recuou.

Um sorriso quase juvenil curvou os lábios de Julius.

“Fecha os olhos e dorme”, disse Quinn, num sussurro de ninar.

Julius obedeceu. O calor dos dedos dela o envolveu, trazendo uma segurança que não sentia havia semanas.

Só com ela ao meu lado consigo descansar.

O tempo escorreu em silêncio. Quando o ritmo da respiração dele se tornou profundo e constante, Quinn abriu os olhos.

Sentou-se devagar e o observou dormir.

Nunca imaginou que, depois do fim, a insônia dele se agravaria tanto, a ponto de depender de remédios para conseguir algum descanso.

Será que segurar a mão dele realmente o faz dormir? Ou foi só um milagre passageiro de hoje à noite?

Mas isso não podia continuar. Ela podia ficar ao lado dele por uma ou duas noites, mas não para sempre.

Quando voltassem para casa, médicos renomados certamente o ajudariam a se curar.

Com cuidado, Quinn soltou os dedos dos dele, como quem desfaz um pacto silencioso. Puxou o travesseiro e a manta e foi para o sofá.

Compartilhar a cama até o amanhecer já não combinava com o que eram, nem com o que haviam se tornado.

Ela se convenceu de que havia aceitado apenas por gratidão, nada mais.

Sim. Nada além disso.

Então por que o coração doía, latejando num lamento surdo por aquele homem adormecido na cama?

Não. Não tenha pena dele.

Mas será que eu poderia mesmo voltar pra ele? Mesmo que jurasse nunca mais mentir, eu acabaria desconfiando de cada palavra, me transformando em alguém que eu não reconheceria.

Mesmo que seja por gratidão, ela ainda se recusa a ficar comigo até o amanhecer?

Ela realmente acredita que algumas palavras escolhidas bastam pra erguer uma muralha entre nós?

Mas a pergunta a atingiu de repente. O que ele está fazendo aqui?

Um arrepio percorreu seu corpo enquanto as lembranças da noite anterior voltavam.

Ela o convidou pra ficar. Ele adormeceu na cama. Então por que agora estava no sofá?

Quinn se sentou num salto. O movimento fez Julius abrir os olhos, ainda enevoados de sono.

“Bom dia”, murmurou ele.

“Bom dia... Mas por que está dormindo aqui? Não tava na cama?”, perguntou ela, confusa.

“Porque só durmo bem quando tô ao seu lado”, respondeu Julius. “Você escolheu o sofá, então, é claro, me deitei aqui também.”

“Mas você pegou no sono na cama ontem à noite”, retrucou Quinn.

“Eu dormi um pouco, sim”, admitiu ele, segurando a mão dela. “Você prometeu me ajudar a descansar. Não mude o combinado no meio do caminho. Se quer mesmo que eu durma bem, tem que segurar minha mão até o amanhecer.”

Quinn ficou sem palavras.

A campainha tocou, cortando o ar de repente.

Ela puxou a mão de volta. “Eu atendo”, disse.

Sem olhar pra trás, correu até a porta e a abriu.

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