POV/ CLARA
A noite no Ambrosia foi muito mais do que uma festa de aniversário; eu sentia que cada fibra do meu ser havia sido reescrita pelas mãos do Adrian. Ele tinha se instalado em cada espaço meu, explorando cada zona erógena com uma possessividade que me deixava sem fôlego. Eu estava marcada, dolorida e exausta, mas, estranhamente, nunca me senti tão completa. Não havia mais separação: eu sentia que pertencia a ele. Eu era dele, e esse pertencimento era a minha maior liberdade.
Como sempre fazia após suas sessões, Adrian foi a personificação do carinho. Ele me carregou até o banheiro luxuoso do clube com o cuidado de quem carrega um tesouro frágil. Ajudou-me a entrar na água morna, lavando cada rastro de cera e suor com uma paciência infinita, beijando as marcas de couro nos meus pulsos e no meu pescoço.
Apaguei assim que minha cabeça tocou o travesseiro, mas por volta das oito da manhã, senti o peso de um olhar sobre mim. Abri os olhos devagar e encontrei Adrian me observando, a mão passando levemente pelos meus cabelos.
— Para de me olhar. Estou feia. Amarrotada — resmunguei, puxando a colcha sobre a minha cabeça para me esconder.
— Você, para ser feia, precisaria de muito esforço — ele respondeu, a voz rouca de sono. — Mas, como dizem que o amor é cego e eu te amo tanto que eu só vejo a perfeição...
Ele puxou a colcha devagar, apenas o suficiente para revelar meus olhos.
— Agora volta a dormir, está muito cedo. Vamos embora só perto das 13h na hora de levar as meninas para aula.
Ignorei o comando. Me levantei com cuidado, sentindo cada músculo protestar. Eu podia estar amarrotada, arranhada e dolorida, mas não ficaria com bafo na frente dele. Fui ao banheiro, fiz minhas necessidades e escovei os dentes. Depois de uma ducha rápida para despertar, voltei ao quarto enrolada apenas na toalha.
— Amooor? — chamei, tentando fazer minha melhor voz de gatinha manhosa. — O que eu vou vestir? Você tem essa mania de cortar minhas roupas...
Adrian estava recostado na cabeceira, observando dos pés à cabeça.
— Quem se importa com isso agora? Vem deitar-se, Clara.
— Está bem, eu vou sair assim então — provoquei, ajeitando a toalha. — Ou você prefere que eu saia apenas com a lingerie?
Ele soltou um riso curto, mas suas sobrancelhas arquearam.
— Você é bem engraçadinha, não é? Se continuar me provocando, vou ter que te amordaçar novamente.
— Acho que vou correr esse risco — respondi, sustentando o olhar.
Adrian se levantou em um pulo, cruzou o quarto com a agilidade de um predador e me puxou pela mão de volta para a cama. Ele me deitou e se inclinou sobre mim, mas sua expressão suavizou ao ver o tom purpúreo nos meus pulsos.
— Você deve estar exausta. — deitou ao lado, estávamos atravessados na cama.
— Feliz aniversário, oficialmente — ele disse, sentando-se ao meu lado enquanto eu me espreguiçava, sentindo o efeito do remédio ter suavizado a dor, deixando apenas uma dormência prazerosa.
Aqui está a continuação detalhada, focando no momento do café da manhã, na despedida das crianças e na virada para a cena do jardim:
POV CLARA
Adrian colocou a bandeja sobre a cama e, com um sorriso raro, começou a cantar um parabéns baixinho, mas não era a versão comum. Ele me olhava com uma intensidade que fazia o ar vibrar.
— Parabéns para você, Clara... mas no seu aniversário, o presente é inteiramente meu por ter você. — ele disse, beijando minha mão assim que terminou.
Eu ri, sentindo minhas bochechas esquentarem.
— Isso é muito clichê, sabia? — provoquei.
— Pode ser um clichê, mas é a verdade. Eu te amo de uma forma que consome o meu juízo. — ele respondeu, com a voz séria por um momento antes de voltar ao tom de comando. — Agora, coma. Você precisa de energia.

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