(NARRATIVA DE JARED)
Era mais um dia perfeito para um marido caseiro profissional.
Espreguicei-me, sentindo-me revigorado ao balançar as pernas para fora da cama. O hábito me fez olhar para o outro lado, onde Maverick normalmente se enroscava, mas estava vazio.
Certo. Ele vinha dormindo com Arielle nas últimas noites. Desde que aqueles pesadelos começaram, ele não saiu do lado dela.
Suspirei para mim mesmo. Já tinha me acostumado com sua pequena silhueta aconchegada ao meu lado, suas respirações suaves me embalando de volta ao sono sempre que acordava durante a noite.
Algo que pareceria ainda mais natural? Acordar com ele e sua mãe ao meu lado.
Esse pensamento me arrancou uma risada depreciativa enquanto enfiava os pés nos chinelos. Um homem pode sonhar, claro, mas eu sabia melhor do que alimentar esperanças impossíveis… pelo menos por enquanto.
Coloquei os chinelos e comecei minha rotina do dia. Escovei os dentes, joguei água no rosto e fui para a cozinha preparar o café da manhã.
Cozinhar era algo que eu vinha melhorando recentemente. Recorri a vídeos do YouTube e me limitei a refeições menos complexas.
Quebrei alguns ovos numa tigela, os bati, adicionei um pouco de queijo e temperei na medida certa. O chiado da frigideira preencheu a casa silenciosa, e logo o cheiro dos ovos fritando e das batatas douradas se espalhou pelo ar.
Não pude evitar sorrir. Se nada mais desse certo, pelo menos minha comida tiraria Maverick e Arielle da cama num instante.
E eu estava certo. No momento em que finalizei as omeletes e as batatas, Maverick surgiu na cozinha, mochila já pendurada em um dos ombros.
— Hmm, está cheirando tão bem aqui! — Disse ele, abrindo as narinas dramaticamente. — Bom dia, papai!
— Bom dia, campeão — Respondi rindo, bagunçando seu cabelo desgrenhado.
Ele espiou os pratos, os olhos brilhando de expectativa.
— Posso comer omelete e batatas no café da manhã? Por favor?
Abaixei-me até sua altura.
— Boa tentativa, mas não. O café da manhã é cereal, isso aqui é para o seu almoço na escola.
Ele suspirou e depois assentiu.
— Tá bom, papai.
Obediente como sempre. Esse garoto nunca deixava de me surpreender.
Arielle entrou naquele momento, vestida e pronta para o dia, em um elegante terninho de tweed cinza texturizado, meias-calças pretas e saltos discretos. Ela parecia sofisticada sem esforço, e eu não consegui evitar deixar meu olhar nela por mais tempo do que deveria.
— Bom dia — Disse ela com frieza, o tom educado, mas distante.
— Bom dia — Respondi com mais entusiasmo do que ela provavelmente esperava. — O café está pronto.
Ela assentiu e se sentou à mesa, os olhos escaneando os pratos de comida.
— Obrigada — Murmurou finalmente.
Não era muito, mas eu aceitava.
Enquanto Arielle comia, ajudei Maverick com seu cereal, o alimentando com a colher para economizar tempo. Quando terminaram, os observei sair para a escola e o trabalho.
E assim, a casa ficou silenciosa de novo.
Suspirei enquanto limpava tudo. Não era uma rotina ruim, mas a ausência deles sempre deixava o lugar... vazio. Como se levassem uma parte de mim ao sair pela porta.
Após terminar as tarefas, levei os filhotes para um passeio. O ar fresco ajudou a clarear minha mente, mas conforme o dia passava, o tédio se instalava.

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