(NARRATIVA DE ARIELLE )
O restante do jantar passou em um silêncio incômodo, pesado e sufocante.
Eu me concentrei no meu prato, determinada a evitar o olhar de Jared e suprimir as memórias que ameaçavam emergir.
Era a cena… o calor de um jantar em família, o tipo de momento que eu um dia sonhei, que tinha me desestabilizado. Minhas defesas haviam rachado sob o peso disso. Eu não poderia deixar isso acontecer de novo. Eu não deixaria.
Isso deveria ter sido um lembrete do que eu poderia ter tido naquela época e um aviso claro do que agora precisava proteger.
Cerca de vinte minutos depois, Jared se desculpou e saiu, deixando-se sozinha com Maverick.
Fiquei mexendo distraidamente na comida enquanto Maverick me observava com seus olhos curiosos e inocentes.
— Mamãe? — Sua voz suave me puxou para fora do emaranhado dos meus pensamentos.
— Sim, querido?
— Por que você não fala com o papai? — Perguntou, seu tom cuidadoso, mas direto. — Eu fiz algo errado? É a comida? Isso te deixou infeliz?
Sua pergunta me atingiu como um soco no estômago. Forcei um sorriso, mesmo com meu coração apertado. — Não, querido. Nada está errado. Não pense assim. A mamãe só está cansada do trabalho, só isso.
Ele me estudou por um momento, lançando um olhar furtivo como se tentasse medir a verdade. Não pude evitar sorrir diante de sua persistência. Meu menino. A única fonte constante de alegria na minha vida.
— Certo, campeão, já chega de jantar para você. — Falei, suavizando o tom. — Vai brincar com seus Legos. A mamãe já vai.
Ele sorriu para mim, acenou com a cabeça e saiu silenciosamente da mesa.
Mas o silêncio não durou.
Jared voltou momentos depois, recolhendo os pratos sem dizer uma palavra. Sua presença me inquietava, mas seu gesto não era ofensivo. Era gentil. Talvez até gentil demais.
— Você não precisa fazer isso. — Disse, mantendo meu tom neutro.
Ele fez uma pausa, lançando um olhar para mim. — Fazer o quê?
Franzi a testa, minha paciência já desgastada. — Isso. Tudo isso. As tarefas, o jantar. Nada disso é necessário. Tenho funcionários por um motivo. E se isso for uma tentativa equivocada de mudar minha opinião sobre você, esqueça. Não está funcionando. Só piora as coisas... para todos, especialmente para Maverick.
A mandíbula de Jared se contraiu. Seu olhar escureceu, um lampejo de dor atravessando seu rosto antes que sua voz saísse, baixa e contida. — É para todos... ou só para você?
Suas palavras atingiram um ponto sensível, e eu me ericei.
— Você sempre tem que estragar tudo? — Sua voz era quieta, mas afiada. — Cometi um erro, um que me arrependo todos os dias. Isso significa que nunca poderei fazer nada certo? Eu não estava tentando te impressionar, Arielle. Só estou tentando fazer meu filho feliz.
A raiva subiu, quente e amarga. Cerrei os punhos sob a mesa, minha voz tremendo enquanto retrucava:
— Fazer ele feliz? Ou se sentir melhor consigo mesmo? Onde você esteve nos últimos três anos, Jared? Você sequer entende como foi? Eu tive que ser tudo... mãe, pai, provedora. E agora, você acha que algumas refeições e tarefas vão consertar isso?
As palavras saíram antes que eu pudesse as parar, minha voz se elevando com a frustração que eu enterrava há tanto tempo.
O rosto de Jared caiu, sua expressão marcada pelo arrependimento e por algo mais profundo, algo cru que fez meu peito apertar.
Nenhum de nós falou depois disso. O ambiente ficou frio, e eu me ocupei com a louça, recusando-me a olhar para ele.
Quando finalmente me retirei para o quarto, uma palavra suave me seguiu ao sair.
— Desculpa.
Parei na porta, sua voz pairando no ar. Por um momento, quase voltei.
Mas não voltei. Saí sem olhar para ele.
— Eu também sinto muito — Murmurei, em silêncio.
Uma hora depois, eu estava perdida esboçando novas ideias de decoração para o meu restaurante quando meu celular vibrou no criado-mudo.
Um sorriso surgiu no meu rosto ao ver o identificador de chamadas, é o Dwayne.
— Ei, cara — Atendi, com um tom brincalhão.
— Oi, avestruz — Ele brincou, sua voz profunda carregando um calor que sempre me fazia sentir mais leve. — E aí? Você demorou uma eternidade para atender. Estava ocupada, enterrando a cabeça na areia?
— Ocupada com minha 'grande causa' — Retruquei, enfatizando as palavras com falsa solenidade. — Tentando consertar algo para mim mesma, se quer saber.
Ele soltou uma risada suave do outro lado. — Devo me preocupar? Ou devo começar a arrumar minhas malas para te ajudar a comandar a A e M? Ouvi falar da sua 'grande causa' lá da Itália, chefe.
— Ah, por favor. Nem começa. — Respondi, embora seu elogio tivesse arrancado um sorriso de mim.

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