(NARRATIVA DE JARED)
O motor do meu carro roncava, enquanto meu coração girava em um turbilhão de pavor. Eu estava deixando a cidade, seu ambiente agitado sendo gradualmente engolido pelo caminho deserto que levava ao armazém.
Conforme eu me aproximava, meu aperto no volante ficava mais firme. Tudo isso ainda não parecia certo. Algumas perguntas importantes não tinham sido respondidas. Mas não havia tempo para me aprofundar nisso, não quando estava claro que Maverick estava nas mãos de Dwayne.
Cada quilômetro que me afastava da cidade parecia um peso me arrastando para um abismo.
Maverick. Seu rosto passou pela minha mente. Embora eu não tivesse tido a chance de conhecê-lo propriamente como pai, eu podia dizer que ele era uma criança adorável.
E agora ele estava em algum lugar por aí, nas mãos imundas de Denzel.
Finalmente cheguei e parei o carro, olhando fixamente para o armazém. Por um momento, observei sua aparência decadente. Janelas quebradas, metal enferrujado e concreto em ruínas testemunhavam anos de abandono.
Tentei com todas as forças não pintar uma imagem mental de Maverick e de como ele poderia estar apavorado, lá dentro, sozinho com aquele monstro. Naquele instante, a determinação tomou conta de mim, e eu agarrei a maleta.
Eu ia entregar o documento para Denzel e trazer meu filho de volta, e tudo estaria acabado. Imaginei o rosto feliz e aliviado de Arielle quando eu entregasse o menino a salvo para ela.
Com isso, bati a porta do carro e me movi rapidamente em direção à entrada do armazém. A porta pesada e apodrecida rangeu sinistramente enquanto eu a empurrava.
O ar lá dentro estava carregado com o cheiro de poeira, madeira velha e mofo, e não pude evitar espirrar. O ambiente parecia errado. A poeira... as teias de aranha... era um lugar imundo e inóspito para uma criança.
O corredor parecia interminável. Tentei acalmar meus pensamentos acelerados, focando apenas no meu próximo passo. Eu traria meu filho de volta. Denzel pagaria pelo que tinha feito.
Estava escuro... escuro demais. Eu estreitei os olhos, tentando distinguir qualquer forma, mas as sombras engoliam tudo. Quando eu estava prestes a pegar meu celular, ele tocou.
— Vejo que você chegou. — A voz fria e zombeteira de Denzel ressoou. — Passe pela porta e vire à esquerda.
— Desgraçado! — Xinguei, quando ele desligou a chamada.
Guardei o celular no bolso e dei o primeiro passo pelo corredor. O prédio parecia se fechar ao meu redor, o ar pesado e denso de tensão.
Eu mal conseguia ver o corredor à minha frente, mas continuei em frente, meus olhos escaneando as sombras, cada fibra do meu ser em alerta. Meus sapatos rangiam contra as velhas tábuas do assoalho, e a cada passo, minha raiva e medo aumentavam.
Como Denzel poderia trazer uma criança para cá? E se a criança fosse alérgica à poeira ou pegasse uma gripe nesse ambiente inadequado?
Ele vai se arrepender de ter tentado me atingir dessa forma.
Eu tinha acabado de chegar ao final quando uma luz piscou, iluminando de repente o cômodo.
E então eu os vi: Denzel e Maverick. Senti meu rosto perder toda a cor, ficando branco como um osso ao ver a cena à minha frente.
Maverick estava sentado em um banquinho, parecendo apavorado, com a boca coberta por uma fita. Mas não era isso que fazia meu estômago revirar.
Era a faca.
A faca de caça.
O aço reluzente estava pressionado a poucos centímetros da garganta do meu filho.
— Você, animal, como pode tratar uma criança inocente assim? — Sibilei, mas me obriguei a permanecer parado. Um movimento errado, e Denzel poderia acabar com tudo.
— Ah, olá, Jared. Você chegou cedo para a festa. — Disse Denzel, com um sorriso astuto no rosto. E então ele se virou para Maverick: — Olha quem temos aqui, seu papai. Não é um pai incrível, correndo para te resgatar diante do perigo? Bem, vamos torcer para que ele coopere para que você possa ir com ele.
Maverick recuou, parecia realmente assustado com Denzel. A cena partiu meu coração e quase me fez chorar. Pobre garoto, ele não merecia nada disso.
— Maverick. — Chamei suavemente, tentando dar um passo. — Está tudo bem, filho. Eu estou aqui.
Mas antes que eu pudesse me mover, Denzel levantou uma mão.
— Ah...ah. Nem tão rápido assim. — Ele alertou, apertando ainda mais a faca, aproximando-a da garganta de Maverick. — Primeiro, o documento.
Meu coração afundou, meus olhos fixos no rosto assustado de Maverick.
— Denzel. — Sussurrei. — Deixe-o ir primeiro, e eu te entrego o documento. Olha, está aqui. — Disse, batendo na maleta.
Denzel riu, balançando a cabeça. — Este é o meu jogo, Jared, você não pode ditar as regras. Primeiro os negócios, depois os sentimentos. Me dê a maleta, e eu deixo o garoto ir.
Eu assenti e abri a maleta, rezando para que Denzel cumprisse sua parte no acordo. Com tudo que ele fez, eu sabia que ele não era confiável, mas não tinha outra opção a não ser arriscar e esperar que nada desse errado.
Tirei finalmente o documento e dei um passo à frente, mas algo me parou.

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