(NARRATIVA DE ARIELLE)
— Arielle, está tudo bem? — Uma voz perguntou, tocando meu ombro.
Imediatamente, voltei à realidade e vi Rebecca ao meu lado, com uma expressão preocupada no rosto.
— Sim, claro. Porquê?
Ela me olhou com uma mistura de simpatia e preocupação, os olhos suaves. — Você está distraída desde que chegou aqui, Arielle. Tudo bem não estar bem. Você não precisa fingir.
Suas palavras me atingiram como uma onda, e senti o nó no meu peito apertar ainda mais. Eu não era eu mesma. Não desde a ligação com Dwayne. Seus conselhos, as perguntas que ele levantou... contar ou não a verdade sobre o pai de Maverick à ele... ainda ecoavam na minha mente.
— Estou bem. De verdade. — Forcei um sorriso, tentando disfarçar, mas eu podia sentir o quão falso parecia.
Rebecca não acreditou. Ela inclinou a cabeça, me observando com cuidado. — Você não está bem, chefe. Deveria descansar. Sério. Você passou por muita coisa ultimamente. Tudo bem tirar uma pausa.
Sua bondade deveria ser um conforto, mas tudo em que consegui focar foi a sensação incômoda no meu estômago. A última coisa que eu queria era sobrecarregar alguém com o meu caos.
— Obrigada, Rebecca. Ficarei bem. — Respondi, tentando soar convincente enquanto olhava o relógio. Era hora de fechar.
Suspirei. — Você tem razão, devo ir. Avise ao Stephen para cuidar de tudo na minha ausência.
— Claro. — Ela me acompanhou até a saída, com a mão repousando brevemente no meu braço. — Cuide-se, tudo bem?
— Vou tentar, obrigada. — Murmurei.
Enquanto caminhava em direção à saída, rapidamente peguei o celular e mandei uma mensagem para Joe: “Oi, estou pronta para ir para casa.”
Quando cheguei ao estacionamento, o carro já estava me esperando. Joe sempre foi pontual, e naquele momento, eu agradeci por sua consistência. Entrei no banco traseiro, e o silêncio do carro me envolveu completamente.
Eu precisava organizar meus pensamentos. Mas, quanto mais tempo eu ficava ali, mais eles giravam em espiral. O silêncio da viagem não me acalmava... fazia com que eu me sentisse ainda mais exposta, como se algo ruim estivesse prestes a acontecer.
Quando finalmente paramos na entrada de casa, meu coração estava acelerado, minhas mãos frias, cheias de perguntas na mente. De alguma forma, eu não conseguia afastar a sensação de que algo estava errado.
— Obrigada, Joe. — Murmurei rapidamente e saí do carro. O silêncio da noite parecia um zunido distante, abafado pelo zumbido constante do meu coração acelerado.
Entrei em casa e troquei de roupa, vestindo um jeans confortável e um suéter macio, na esperança de que o tecido suave acalmasse meus nervos.
Lá embaixo, olhei para o relógio. Maverick chegaria em breve. Ele estava um pouco atrasado porque tinha aulas de música depois da escola.
Suspirando, joguei-me no sofá, decidida a esperá-lo ali. Maverick... seu sorriso, suas risadas, o jeito que seus olhos brilhavam quando ele falava sobre o dia. Meu coração amoleceu ao pensar no meu filho, e de repente, senti como se estivesse sendo sufocada pelo peso de tudo aquilo.
Preciso conversar com ele. O pensamento veio como um suspiro afiado.
Um sentimento de culpa me atingiu quando percebi que vinha evitando isso havia muito tempo.
Já tinha ouvido as opiniões de todos os outros. Jared, Ashley, Dwayne... todos pareciam ter uma resposta para mim. Mas eu não tinha parado para pensar no que Maverick iria querer. No que ele precisava saber. Em como ele se sentiria com a verdade.
Eu não podia mais fugir disso.
Maverick era uma criança, mas ele merecia fazer suas próprias escolhas, saber a verdade sobre sua origem. E mesmo que essa verdade significasse enfrentar um mundo cruel, mesmo que doesse, era hora de ele ter sua voz.
Eu estaria lá para meu filho, acompanhando-o, independentemente do que ele escolhesse.
Enquanto eu sentava ali, os segundos escorrendo, uma onda de determinação me inundou. Eu posso dar algo melhor a ele. Eu poderia... fazer melhor do que meus pais fizeram comigo.
Vou contar a verdade a ele sobre o pai, sobre nós.
Resolvido. Subitamente, senti meu coração aliviado.
Mas, com o passar das horas e sem sinal de Maverick ou do ônibus escolar, algo parecia errado. Maverick raramente se atrasava. Ele tinha aulas de música, mas isso não era comum. Meu filho nunca se atrasava.
Minha preocupação aumentou enquanto eu olhava o relógio inconscientemente. Onde ele poderia estar? Havia algum atraso na aula de música? Porque eu tinha certeza de que ele não estava com minha mãe. Ela estava em uma viagem curta, por isso ele precisava usar o ônibus escolar até que ela voltasse para buscá-lo.
Algo estava errado, e eu não conseguia identificar o que era.
— Vou verificar com a escola. — Murmurei para mim mesma, tentando me convencer de que havia uma explicação lógica.
Mas, enquanto saía da garagem e fazia o curto trajeto até a escola, meus nervos só pareciam aumentar. E se algo tivesse acontecido com ele? E se...?

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